A uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, a disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue sem favorito claro para o mercado. A orientação mais consensual é não transformar a carteira em aposta eleitoral.

"A única coisa que você precisa evitar agora é fazer grandes apostas", resume André Leite, CIO da TAG Investimentos. A recomendação geral é manter a renda fixa como base e dosar a exposição à Bolsa e aos prefixados.

Parte do patrimônio em dólar funciona como proteção. Uma pesquisa divulgada nesta semana mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno pela primeira vez desde agosto, o que ajuda a explicar a cautela do mercado.

Um levantamento do UBS com anos eleitorais anteriores não encontrou aumento consistente da volatilidade da Bolsa, do câmbio ou da renda fixa nesses períodos. O que muda é a intensidade das reações a cada nova pesquisa.

O padrão já apareceu antes. Em setembro, uma única pesquisa que reduziu a distância entre os candidatos derrubou o dólar e disparou a Bolsa no mesmo dia. O Ibovespa subiu 3,05% e o dólar caiu a R$ 5,10 na ocasião.

Na semana passada, porém, a moeda voltou a subir mesmo com Lula à frente na pesquisa. Analistas atribuem o movimento à dívida pública, não ao nome do favorito.

Como investir nesta reta final

Quem já investe em ações deve evitar grandes movimentações e esperar o resultado para rebalancear a carteira, avalia Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos.

Quem ainda não está na Bolsa pode começar a montar posição, desde que com horizonte de pelo menos cinco anos. Para quem tem dinheiro parado, a resposta não é nem tudo agora, nem tudo depois.

Pedro Carneiro, gestor da Asset1, sugere dividir a entrada em três aportes até novembro, estratégia que, segundo a Franklin Templeton, já vem sendo adotada pelo mercado.

Na renda fixa, o pós-fixado segue como porto seguro enquanto a eleição não se define. "O carrego do pós-fixado é a melhor poltrona de espera", diz o planejador financeiro Jeff Patzlaff.

O grupo inclui o Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI. Ao lado dele, o Tesouro IPCA+ aparece como a principal recomendação do mês.

O UBS classifica os títulos atrelados à inflação como muito atrativos, e o gestor Luis Stuhlberger, do fundo Verde, os prefere aos prefixados. A orientação mais frequente é evitar os vencimentos mais longos, que oscilam mais.

O que acontece agora

O primeiro turno acontece em 4 de outubro, e o eventual segundo turno, em 25 de outubro. A Tivio Capital espera oscilação relevante no dia seguinte à votação, qualquer que seja o resultado.

O mercado aguarda sinais concretos de ajuste nas contas públicas.