Os preços do diesel dispararam no mundo por ataques a refinarias na Rússia e no Oriente Médio, na guerra entre EUA e Irã. O Brasil está entre os maiores compradores do diesel que os EUA exportam recorde atrás de recorde.
A Rússia, segunda maior exportadora mundial do combustível, proibiu as exportações de diesel em julho, com a proibição valendo pelo menos até o fim de setembro. A guerra entre EUA e Irã também interrompeu ou paralisou embarques no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.
Diante disso, os EUA vêm exportando recorde atrás de recorde. O país embarcou 1,6 milhão de barris de diesel por dia em agosto, quase o dobro do volume de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã.
Segundo a consultoria Kpler, os principais compradores desse diesel incluem Brasil, Chile, México, Peru, Marrocos, França e Reino Unido.
Analistas discordam sobre o que aconteceria se os EUA restringissem essas exportações, como o presidente Donald Trump chegou a cogitar. A consultoria Capital Economics avalia que a medida seria contraproducente, porque um excedente doméstico forçaria as refinarias americanas a reduzir o processamento de petróleo bruto.
Isso diminuiria também a produção de gasolina e outros derivados, elevando os preços desses combustíveis dentro dos próprios Estados Unidos. Já o API, principal associação do setor de petróleo americano, diz que restringir as exportações agravaria uma crise global de refino.
O economista de energia Philip Verleger foi mais direto: "uma proibição poderia aumentar os preços mundiais em até 100%, dada a baixa elasticidade-preço da demanda por esse combustível".
No Brasil, a dependência do diesel americano cresceu rápido. Com a retração da oferta russa, os Estados Unidos responderam por 68% das importações brasileiras em julho e agosto, segundo o Comex Stat. Em setembro, essa fatia chegou a 80%, de acordo com a Abicom.
O país depende de importações para algo entre 25% e 30% do diesel que consome. Com quatro em cada cinco compras externas vindas de um único fornecedor, qualquer novo choque na oferta americana chega direto ao preço pago no posto brasileiro.
O que muda no bolso do consumidor
O preço médio do diesel S-10 nos postos subiu 6,5% só em setembro, para R$ 7,33 por litro na semana encerrada em 25 de setembro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É o maior valor desde abril.
O impacto no posto foi menor do que poderia porque o governo prorrogou por mais 30 dias, em 27 de setembro, a subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel A de uso rodoviário. Sem o subsídio, a alta chegaria ao consumidor final.
É a segunda vez em poucos meses que o governo recorre a esse mecanismo para conter o repasse. Em setembro, o Brasil já havia gasto R$ 6,6 bilhões para segurar o preço do combustível nas bombas.
Na Europa, os preços do diesel atingiram máximas históricas. Na Ásia, os preços negociam-se perto dos recordes registrados em março.





























