O número de casos confirmados de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 8 mil pela primeira vez, segundo dados do governo congolês divulgados nesta segunda-feira (28/9). O boletim mais recente aponta 8.067 casos e 3.901 mortes, número que segue subindo.
É o maior e mais letal surto de Ebola já registrado no país, superando a epidemia de 2018-2020. Fica atrás apenas do surto da África Ocidental de 2014-2016, que infectou mais de 28.600 pessoas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de letalidade já passa de 48%. "A taxa bruta de letalidade persistentemente alta, e especialmente a taxa elevada de mortes ocorrendo nas comunidades, ressalta a gravidade da doença", informou a organização em relatório.
A OMS também apontou desafios persistentes na detecção oportuna de casos e no acesso a cuidados precoces para os pacientes.
O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) informou nesta segunda que o combate ao surto já afeta outros serviços de saúde na região. Os atendimentos de atenção primária caíram 13% entre abril e junho só na província de Ituri.
Onde o surto está mais grave?
Kivu do Norte é um dos principais focos da epidemia, com mais de 1.300 casos e taxa de letalidade superior a 62%. Em Ituri, onde a transmissão começou a diminuir, a letalidade é de cerca de 45%.
Segundo a Reuters, Kivu do Norte registrou 555 novos casos nos 21 dias anteriores a 12 de setembro, com aumento rápido na cidade de Butembo.
No centro de tratamento de Kitatumba, em Butembo, pacientes lotam as instalações. Profissionais precisam converter leitos reservados a casos suspeitos em leitos para pacientes já confirmados.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma que o surto tem se mostrado difícil de conter porque se estabeleceu em áreas urbanas densamente povoadas, onde o engajamento das comunidades foi mais fraco no início da resposta.
O medo e a desconfiança em relação aos centros de tratamento levam parte da população a adiar a busca por atendimento. Quando o paciente só procura ajuda depois que a doença já está em estágio grave, a chance de sobreviver cai.
O surto está concentrado no leste do Congo, região afetada pela violência armada há décadas. O conflito atrasa o acesso das equipes de saúde às comunidades e dificulta o rastreamento de contatos, e ataques a hospitais e profissionais continuam ocorrendo.
O que acontece agora
A TV Sim Brasil já vinha acompanhando a evolução do surto, que somava 7.890 casos em 23 de setembro.
Em agosto, o número de casos já dobrava a cada semana.
Antes disso, o surto havia se tornado o segundo mais mortal da história do país. O Ministério da Saúde brasileiro considera baixo o risco de o Ebola chegar ao Brasil.






























