O balanço do acidente com um ônibus de turismo na BR-262, em Ibatiba, no Espírito Santo, caiu de nove mortos temidos para três confirmados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O tombamento aconteceu na noite deste domingo (27/9), na Curva da Ferradura, e deixou 45 feridos.

O primeiro balanço, divulgado ainda de madrugada, chegava a apontar nove mortos.

O número caiu com a identificação das vítimas ao longo do dia.

As vítimas fatais são Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, 38 anos, motorista do ônibus e morador de Contagem; Vera Lúcia de Andrade, 44 anos; e Maria Aparecida Martins Barbosa, ambas passageiras de Belo Horizonte.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, as equipes foram acionadas por volta das 21h20 para o tombamento de um ônibus que transportava 47 pessoas. Duas vítimas foram encontradas sem vida fora do veículo, e a terceira morreu durante o atendimento do Samu.

"Ao chegarmos ao local, encontramos uma cena difícil de descrever: muitas pessoas feridas, entre elas crianças, e, infelizmente, vítimas que não sobreviveram", relatou o soldado Gabriel Leocadio, da Polícia Militar, em publicação nas redes sociais.

O que a ANTT descobriu sobre o ônibus?

O ônibus estava em operação irregular, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Licença de Viagem do veículo previa o trajeto entre Santa Bárbara, em Minas Gerais, e São Paulo, e não incluía passagem pelo Espírito Santo.

Por isso, a ANTT classificou o transporte como irregular no momento do acidente. Ainda assim, o veículo tinha Certificado de Segurança Veicular, certificado do cronotacógrafo e seguro de responsabilidade civil válidos, segundo a agência. O ônibus está vinculado à empresa GOJ Transporte e Turismo Ltda.

Um passageiro relatou que o ônibus havia apresentado problemas mecânicos durante o trajeto, mas o defeito não foi confirmado. A PRF investiga se a perda de freios, somada à curva perigosa em declive, contribuiu para o tombamento.

Por que a Curva da Ferradura registra tantos acidentes?

A Curva da Ferradura é conhecida pelo alto número de ocorrências, segundo a PRF. No trecho entre os quilômetros 145 e 155 da BR-262, houve 18 acidentes em 2026 até este domingo, com 6 graves e 22 feridos, mas nenhuma morte antes deste caso.

Em 2025, foram 19 acidentes no mesmo trecho, com 4 mortes, 28 feridos e 9 ocorrências graves. Marcel Haase, chefe da PRF de Viana, diz que radares foram instalados nos dois sentidos antes da curva, mas a declividade e a alta velocidade continuam favorecendo acidentes.

"Mesmo com a instalação de radares, muitas vezes o acidente acaba sendo potencializado pela alta velocidade, porque o trecho é uma descida numa curva muito fechada", disse Haase. Segundo o policial, o problema é mais comum em veículos pesados, cujo peso dificulta o controle.

Os radares não impediram que o trecho voltasse a registrar um acidente fatal em menos de um ano.

Acidentes com ônibus de turismo se repetem no país. Em agosto, um choque entre ônibus e caminhão na BR-040, em Minas Gerais, matou duas pessoas e deixou 23 feridos.

O que acontece agora

A PRF ainda vai periciar o local para apurar a causa oficial do tombamento. A BR-262 já é alvo de pedidos por duplicação. Parlamentares já cobraram diálogo com Brasília sobre obras na rodovia, mas o trecho no Espírito Santo segue com pista simples.