O governo federal lançou nesta sexta-feira (25) a terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. A meta é comprar até R$ 150 bilhões em débitos de cartão e crédito pessoal com atraso de 2 a 4,5 anos.
O mecanismo muda em relação às edições anteriores. Em vez de intermediar a negociação entre banco e devedor, a União vai comprar diretamente as carteiras de crédito das instituições financeiras, com deságio de 90%, em leilão previsto para novembro.
"É isso que eu entendi. É isso que eu assinei", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao anunciar o programa, afirmando que esta edição "é melhor do que os outros Desenrolas".
Só entram dívidas de até R$ 10 mil, de cartão (rotativo ou parcelado) e crédito pessoal sem consignação em folha. O governo estima que R$ 300 bilhões em dívidas se enquadrem nessas regras, e pretende alcançar metade desse total.
Como o Desenrola cresceu a cada edição
A primeira edição, entre 2023 e 2024, renegociou R$ 35,6 bilhões e alcançou mais de 12 milhões de pessoas, num modelo de negociação direta entre consumidor e banco, em meio a um cenário no qual o endividamento das famílias já preocupava o Banco Central.
A segunda, encerrada em agosto deste ano, renegociou R$ 44,1 bilhões somando famílias e empresas, com desconto médio de 82% para famílias. O lançamento dela coincidiu com recorde de inadimplência: 83,7 milhões de CPFs negativados até junho, o maior número da série histórica.
A terceira mira, sozinha, quase o dobro do que as duas primeiras somaram. Além do valor maior, o público-alvo agora é mais específico: só dívidas de até R$ 10 mil e com atraso de pelo menos dois anos.
Quem tem dívida mais recente, mais alta ou de outra natureza — financiamento de veículo, por exemplo — fica de fora desta rodada.
O ponto em aberto
Pesquisadores do FGV IBRE que acompanharam a edição anterior do programa, Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França, chegaram a uma conclusão que vale também para a nova fase: o Desenrola trata o sintoma do endividamento, não a causa.
Segundo os pesquisadores, os juros do crédito rotativo, do cheque especial e do crédito pessoal não consignado seguem estruturalmente altos, mesmo depois de duas rodadas de renegociação.
A resposta sobre se o programa funciona, escrevem eles, só aparece de 12 a 18 meses depois, quando se sabe se as famílias que quitaram a dívida voltam a se endividar no mesmo ritmo.
O que acontece agora
O leilão para a compra das carteiras de crédito está previsto para novembro. A operação ficará a cargo do Tesouro Nacional ou de uma instituição financeira federal, e o desconto obtido deve ser repassado integralmente às famílias.
Antes desta edição, o Desenrola 2.0 teve o prazo esticado até 31 de agosto em meio à inadimplência recorde, e o Banco Central já vinha alertando para o aumento do endividamento das famílias brasileiras.





























