O Mercado Livre começou a vender medicamentos com receita nesta sexta-feira (25), incluindo antibióticos e canetas emagrecedoras como o Ozempic, com entrega em até uma hora em São Paulo. No mesmo pregão, as ações das principais redes de farmácia caíram na B3.
A Pague Menos (PGMN3) fechou o dia com queda de 8%, a R$ 3,45, depois de recuar mais de 10% durante o pregão. A RD Saúde (RADL3), dona da Droga Raia e da Drogasil, caiu 5,38%, a R$ 18,45.
Já a Panvel (PNVL3) recuou 4,90%, a R$ 12,43.
Nos Estados Unidos, as ações do próprio Mercado Livre também recuaram, cerca de 2,7% na Nasdaq, sinal de que o mercado financeiro também vê custo e risco na aposta.
Como vai funcionar a venda de remédios
O cliente envia a receita médica pelo aplicativo, e um farmacêutico valida o pedido antes da liberação. A farmácia própria do Mercado Livre atende, por enquanto, toda a região metropolitana de São Paulo.
A partir de outubro, farmácias parceiras entram na plataforma de marketplace. A meta da empresa é chegar a 20 farmácias de redes terceiras em São Paulo até o fim do ano, todas dentro do sistema de entrega em 60 minutos.
"Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios", disse Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, ao justificar a expansão.
O ponto em aberto
Para o mercado financeiro, a dúvida não é se o Mercado Livre vai vender remédios, mas o que isso faz com a margem de lucro de quem já vende.
"Com Mercado Livre e Amazon ganhando espaço nesses segmentos, investidores passaram a questionar o potencial de margem das farmácias", resumiu Lucas Esteves, head de varejo do Santander Brasil, sobre a queda das ações no mesmo dia do anúncio.
A entrada só foi possível depois que a Anvisa liberou a venda de remédios pelo Mercado Livre, em agosto, revogando uma proibição que durava seis anos. A Shopee já havia recebido autorização parecida semanas antes.
O que acontece agora
O mercado já reagia à possibilidade de perda de margem das farmácias antes mesmo do anúncio de hoje: em junho, o Morgan Stanley via oportunidade de compra nas ações da RD Saúde, mesmo com a queda no papel.
A expansão do Mercado Livre para farmácias parceiras começa em outubro, e a meta de 20 unidades até dezembro deve ser o primeiro teste real de quanto o modelo consegue crescer fora da farmácia própria da empresa.































