"Habeas Corpus", primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix, estreou na quarta-feira (23) sem se basear em um caso real específico. A trama, estrelada por Marjorie Estiano e Any Gabrielly, se inspira em processos reais de condenações injustas e no trabalho do Innocence Project Brasil.

A associação foi criada em 2016 para reverter condenações de inocentes e provocar debate sobre as causas do problema. Marjorie e Any tiveram contato direto com integrantes do projeto para mergulhar no vocabulário e na rotina do Direito antes das gravações.

Na trama, Marjorie interpreta Inez Franco, ex-advogada criminalista que se afastou dos tribunais e virou professora. Ao dar uma aula, ela decide usar o caso de Jonathan (Hypólito), condenado por um crime que alega não ter cometido.

Inez reúne um grupo de estudantes, entre eles Marina (Any Gabrielly), para investigar o caso e tentar viabilizar uma revisão criminal, ação usada para corrigir erros judiciários em condenações já definitivas.

Conforme as investigações avançam, a linha entre a busca por justiça e um desejo oculto de vingança começa a se dissipar, colocando as duas em lados tensos.

A trama ainda esbarra no escritório onde Inez trabalhava, hoje liderado por seu ex-marido, o advogado Murilo Villar (Vladimir Brichta), o que soma outra camada ao gênero de dramas jurídicos que ganhou força no streaming brasileiro.

Ao Metrópoles, Marjorie e Any avaliaram que a série consegue retratar diferentes perspectivas sobre a Justiça e mostrar o impacto que as decisões desse sistema têm na vida das pessoas, especialmente das mais vulneráveis.

Quem mais está no elenco

O elenco reúne Tato Gabus Mendes, que interpreta o pai de Inez, e a filha dele, Luiza Gabus Mendes, que vive Raquel, uma das estudantes do grupo. A dupla soma quatro gerações de artistas na família, que atua no entretenimento desde o rádio.

O tema de erros judiciários não é só ficção: no Brasil, cartas trocadas na prisão já ajudaram a inocentar jovens condenados por latrocínio em Minas Gerais.

A chegada da série também acontece num momento de disputa no streaming: recentemente, a Netflix caiu para o terceiro lugar entre os serviços mais usados no Brasil, atrás de concorrentes locais e globais.