O governo deve prorrogar por mais 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, informou nesta quinta-feira (24) o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Sem a extensão, um terço do valor venceria neste sábado (26), a nove dias do primeiro turno.

O valor atual é a soma de duas medidas: R$ 1,12 por litro, que vence no sábado, e mais R$ 1 por litro, anunciado no início de setembro. Em 20 de setembro, o gasto acumulado com o diesel já somava R$ 9,9 bilhões no ano.

"Vamos levar ao presidente... a tendência é que a gente mantenha", disse Moretti, que apontou a avaliação técnica da equipe econômica como favorável à manutenção do subsídio.

A subvenção busca conter a pressão do mercado internacional de petróleo, elevado pela escalada entre Irã e EUA.

O Brasil depende de importação: o diesel dos Estados Unidos responde por 80% do consumido no país, e o presidente americano Donald Trump já ameaçou cortar a exportação.

Em setembro, a Petrobras já cortou o preço da gasolina num pacote que termina 5 dias após o 1º turno. O efeito nas bombas, porém, é parcial: os subsídios não impediram o avanço do preço ao consumidor final.

Somando diesel, gasolina e etanol, direto e por renúncia tributária, o governo projeta gastar R$ 40 bilhões neste ano com medidas de contenção de preço de combustível. As adicionais anunciadas em setembro, sozinhas, custam cerca de R$ 7 bilhões por mês.

A escalada aconteceu em etapas: R$ 0,32 por litro em março, e mais R$ 1 com a Medida Provisória 1.391/2026, em 9 de setembro. Em seis meses, o benefício subiu de R$ 0,32 para os atuais R$ 2,12.

Para economistas ouvidos pela imprensa econômica, o impacto fiscal do pacote é sustentável no curto prazo porque a alta do petróleo também eleva a arrecadação federal, via royalties e participações especiais. Mas a avaliação já aponta a necessidade de ajuste nas contas públicas em 2027.

O que acontece agora

A extensão do subsídio ainda depende da decisão final do presidente Lula, e o texto deve ser formalizado ainda esta semana, antes do vencimento da parcela de R$ 1,12 neste sábado (26).

O ajuste que fica para depois da eleição

Os R$ 40 bilhões em subsídios de combustível somam-se a outras despesas do ano eleitoral, e a avaliação de que as contas públicas vão precisar de ajuste em 2027 já circula entre economistas.

O pacote anunciado nesta semana não diz como, nem quando, esse ajuste será feito.