Um documento revelado pelo jornal Estadão e confirmado pela Folha de S.Paulo mostra que o governo dos Estados Unidos pediu para ser avisado antecipadamente sobre qualquer venda de ativos de mineração no Brasil, como condição para aliviar as tarifas contra o país.

Pelo texto, o Brasil também deveria dar a empresas americanas a chance de participar de processos de licitação de minerais críticos antes da aprovação de qualquer concessão pelo governo brasileiro.

O tema voltou a repercutir nesta terça-feira (22), quando o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) disse, em entrevista ao "Jornal da Record", que os EUA querem retirar as terras raras do Brasil. Ele também criticou o silêncio da família Bolsonaro sobre o tema.

Renan Santos citou que o caça F-35 americano usa meia tonelada de terra rara em sua composição. "Se o Brasil não vender pros Estados Unidos, os Estados Unidos não conseguem entrar em guerra com mais ninguém", disse o candidato.

O que mais os EUA pediram

O pacote revelado pelo Estadão não tratava só de minério. Os EUA também pediam a eliminação de tarifas brasileiras sobre etanol, químicos, máquinas e produtos automotivos.

Havia ainda uma cláusula para não limitar a participação de "dissidentes políticos" na eleição presidencial, sem citar nominalmente Jair Bolsonaro. O então chanceler Mauro Vieira devolveu a proposta como inaceitável, e Lula chamou a minuta de "arquivo morto".

O que acontece agora

Enquanto o governo recusa a proposta, o Congresso já reagiu: Lula sancionou lei que dá à Presidência poder de veto sobre a venda de mineradoras a estrangeiros.

Uma nova rodada de negociação está marcada para 30 de setembro ou 1º de outubro, à margem de reuniões do G20 nos EUA, entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer.

Um documento à parte, ligado à pré-campanha de Flávio Bolsonaro, também detalha um plano de parceria com os EUA para explorar terras raras no Brasil. O achado contrasta com a crítica de Renan Santos ao silêncio da família Bolsonaro sobre o tema.

Lula e Trump, enquanto isso, mantêm um canal de conversa aberto, mas tarifa e Pix ainda travam um acordo maior.