O café arábica fechou nesta sexta-feira (25) na maior cotação em uma semana na Bolsa de Nova York, a US$ 2,78 por libra-peso, alta de 1,18%. O movimento foi puxado pela queda do dólar, mas o efeito para o produtor brasileiro não é simples.
O dólar caiu 0,23% frente ao real nesta sexta, cotado a R$ 5,18. Na semana, porém, a moeda americana subiu 0,73%, pressionada pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Por que o dólar fraco pode ser ruim para quem exporta café?
O dólar fraco pode ser ruim para quem exporta café porque o produtor brasileiro vende em dólar e converte a receita em reais. Com o dólar mais barato, cada carga exportada rende menos reais, mesmo que o preço em dólar na bolsa tenha subido.
O Brasil vive um momento de exportação forte: em setembro, as vendas do grão ao exterior subiram mais de 50%, mesmo com o preço internacional em queda.
A safra 2026/27 deve ser 13,5% maior, com 77 milhões de sacas, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg Línea. Só o arábica deve crescer 29%, para 47,2 milhões de sacas.
Seria o primeiro superávit em cinco anos, depois de quatro anos de déficit entre 2021 e 2024.
No Cerrado Mineiro, um dos principais polos produtores, a colheita já chegou a 99% da área, com rendimento recorde.
O excesso de chuva durante a colheita, porém, acelerou a maturação dos frutos e aumentou a ocorrência de grãos com defeito, o que preocupa produtores e exportadores.
O consumidor brasileiro de café deve sentir o alívio antes do produtor, que ainda lida com câmbio desfavorável e qualidade de grão mais baixa nesta safra.
No acumulado do ano, o café arábica acumula queda de 18,34% no mercado futuro. Com a safra recorde, a expectativa é de preços menores no atacado a partir do segundo semestre.
A safra recorde não resolve tudo para o produtor
A colheita 2026/27 promete ser a maior em cinco anos, mas dois fatores podem limitar o ganho de quem planta café.
Um é a qualidade mais baixa dos grãos, afetada pelo excesso de chuva. O outro é um dólar que só ajuda o exportador quando está mais forte, não mais fraco.
O tamanho da safra vai dizer se o Brasil transforma volume recorde em receita maior, ou se o produtor vai vender mais por menos.





























