Belo Horizonte tem 486.423 empresas em atividade, segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), que inaugurou em março um centro de R$ 15 milhões voltado a digitalizar pequenos negócios. A meta é atender mil empresas em dois anos, 0,5% das 196.271 microempresas da capital.
O centro Horizonte foi inaugurado em 31 de março e começou a atender o público em 6 de abril, na Avenida João Pinheiro, 515.
Segundo a CDL/BH, o espaço reúne diagnóstico de negócio, trilhas de capacitação, conexão com fornecedores e programas de apoio à digitalização. Também tem estúdio fotográfico e sala de imersão criativa.
"O diferencial do Horizonte é estar ao lado do empreendedor na prática. Não é só ensinar, é ajudar a aplicar", afirmou Marcelo de Souza e Silva, presidente da entidade.
Souza e Silva preside a CDL/BH desde janeiro de 2019 e também o Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, onde atua há mais de 20 anos. As duas instituições apontadas como porta de entrada do empreendedor mineiro têm o mesmo dirigente.
No Sebrae Minas, o atendimento gratuito e continuado é feito pelo ALI Produtividade, em que um agente acompanha a empresa por um ciclo de seis meses. Em 2025, mais de 6 mil pequenos negócios passaram pelo programa em Minas Gerais.
As empresas atendidas relataram alta de 11,8% no faturamento e de 31% na produtividade, segundo a Agência Sebrae de Notícias.
O que já mudou na porta de entrada digital
A conectividade deixou de ser o obstáculo. A pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios, divulgada pela Agência Sebrae de Notícias em 7 de agosto, mostra que 75% das micro e pequenas empresas usam computador no dia a dia.
O acesso à internet chega a 94%, a maior parte pelo celular.
O apoio institucional também já é conhecido. Segundo o mesmo levantamento, 67% dos empreendedores acessam o portal do Sebrae, contra 58% em 2018, e 54% fizeram alguma capacitação online.
"Os dados provam que o empreendedor brasileiro superou a barreira da conectividade e agora busca qualificação ativa", disse Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
Onde a operação digital trava
O gargalo aparece adiante. O Radar Mercado Digital 2026, feito pelo Sebrae em parceria com a E-Commerce Brasil com 3.081 empresários, aponta que 59,2% dos pequenos negócios tocam sozinhos toda a operação digital.
Entre os microempreendedores individuais, a taxa chega a 76,2%. Nas empresas de pequeno porte, cai para 28,9%.
A composição do parque empresarial de BH ajuda a dimensionar o problema. Dos negócios da capital, 216.832 são MEIs, exatamente o porte em que a operação de uma pessoa só é mais frequente e o uso de computador é menor, de 62%.
A concentração de canais segue o mesmo desenho. O Radar mostra que 78,8% atuam em apenas um ou dois canais de venda. O DataSebrae aponta WhatsApp, Facebook e o Instagram usado como vitrine no Brasil como os canais principais entre quem vende online.
"O empreendedor que faz tudo sozinho não dá conta de fazer a operação no digital bem-feita. Queremos preparar as MPE para vender mais e melhor e em diferentes canais", afirmou Ivan Tonet, gerente adjunto da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional.
Para Bruno Pati, CEO da E-Commerce Brasil, o avanço não depende de investimento alto. "Pequenas melhorias operacionais, quando executadas de forma consistente, podem aumentar a produtividade, elevar a conversão e criar uma base sólida", declarou.
O alcance dos programas é o outro lado da conta. O Digitaliz.AI, executado pela CDL/BH antes do novo centro, acompanhou 83 empresas e testou 60 ferramentas digitais.
O atendimento do Horizonte funciona na Avenida João Pinheiro, 515. A participação no ALI Produtividade e o acesso às trilhas de capacitação do Sebrae Minas não são cobrados das empresas.
Quanto do comércio de BH esses programas alcançam
Os números de adesão vêm das próprias entidades, e eles mostram um descompasso. O portal digital do Sebrae já chega a 67% dos empreendedores, enquanto o Digitaliz.AI acompanhou 83 empresas e a meta do novo centro é de mil em dois anos.
Fica em aberto se esse ritmo move um parque de mais de 400 mil micro e pequenos negócios, ou se o ganho maior está em escalar o que já tem alcance.


























