O Brasil chegou a 214.211.951 habitantes em 1º de julho, segundo estimativa divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (28). O país cresceu 0,37% em um ano, ritmo menor que os 0,39% registrados entre 2024 e 2025, e a desaceleração é o dado que explica por que a população deve parar de crescer dentro de 16 anos.
Em 2025, o Brasil tinha 213.421.037 habitantes. A diferença de 790.914 pessoas é proporcionalmente menor que a do ano anterior. É uma queda pequena, mas repetida ano a ano, do tipo que leva a uma inversão de curva mais adiante.
Por que o crescimento está perdendo força
A causa estrutural é a mesma queda na taxa de natalidade que já vínhamos cobrindo: menos nascimentos por mulher, a cada geração, resultam em menos gente entrando na base da pirâmide. Enquanto isso, a expectativa de vida aumenta e mantém mais gente no topo.
O resultado já aparece no envelhecimento. A proporção de brasileiros com 60 anos ou mais subiu de 15,6% em 2024 para 16,6% em 2025. Em 45 anos, o IBGE projeta que esse grupo chegue a 37,8% da população, ou 75,3 milhões de idosos.
Esse envelhecimento já aparece em outro retrato que fizemos: o eleitorado de 2026 também está mais velho, com o Sudeste perdendo peso relativo para outras regiões.
Quem cresce e quem sustenta o país
A distribuição da população também é desigual. O Sudeste concentra 41,6% dos brasileiros, contra 26,8% no Nordeste, 14,7% no Sul, 8,8% no Norte e 8,1% no Centro-Oeste. Os 15 municípios mais populosos do país já reúnem 42,9 milhões de pessoas, cerca de 20% do total.
Essa concentração cresce enquanto o mercado de trabalho muda de perfil. O Brasil bateu recorde de emprego formal em agosto, mas a informalidade também subiu — nem toda a força de trabalho está no mesmo regime de contribuição.
É essa combinação, mais idosos e proporcionalmente menos gente em idade de trabalhar e contribuir, que sustenta o gasto de cerca de 12% do PIB brasileiro só com previdência, somados todos os regimes.
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O ponto em aberto
O IBGE projeta que a população brasileira segue crescendo até 2041, quando deve atingir o pico de 220,43 milhões de habitantes, para só então começar a cair, até 199,2 milhões em 2070. Faltam 16 anos até essa inversão.
O Brasil tem um prazo duplo pela frente: os 16 anos até a população parar de crescer, e as décadas seguintes para equacionar o custo do próprio envelhecimento, à medida que a proporção de idosos sobe dos atuais 16,6% para os 37,8% projetados pelo IBGE.
O IBGE já mostrou quando a curva vira. O que ainda não está posto é o que o país fará com esse tempo.


























