As exportações de café verde do Brasil somaram 153,8 mil toneladas até o dia 24 de agosto, mais que as 142,9 mil toneladas de todo o mês de agosto de 2025. A média diária de embarques subiu mais de 50%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A média por dia útil chegou a 10,25 mil toneladas neste mês, contra 6,8 mil toneladas no mesmo período do ano passado. O salto ocorre em um ano de safra recorde, com a colheita já superando 90% das lavouras.

Em julho, as exportações haviam desacelerado por causa de chuvas que atrapalharam o fluxo da colheita. Agosto reverteu o quadro, com o ritmo de embarques bem acima do histórico recente.

O volume maior vem justamente quando o preço caiu. Entre janeiro e agosto, o café arábica recuou 5,6% na bolsa de Nova York e o robusta, 7,6%.

Armazéns de café estão próximos do limite de capacidade, o que aumenta a chance de produtores acelerarem as vendas mesmo com cotação mais baixa, para dar vazão à safra recorde.

Enquanto o café ganha espaço, outro produto do agronegócio andou na direção contrária. As exportações de carne bovina caíram 26% em agosto, afetadas pelo tarifaço imposto pela China aos frigoríficos brasileiros.

O que vem a seguir

O setor já olha para a safra seguinte, também apontada como recorde. Chuvas previstas para o início de setembro devem atingir o Cerrado Mineiro, o Sul de Minas, São Paulo e as Matas de Minas.

Segundo Leonardo Rossetti, analista da StoneX, essas chuvas podem funcionar como gatilho para boa parte das floradas nas áreas de café arábica.