Joel Kaplan, chefe de políticas globais da Meta e principal assessor de Mark Zuckerberg em Washington, afirmou nesta terça-feira (20) que vai deixar a empresa após 15 anos no cargo. A saída foi noticiada em primeira mão pelo site Axios.

Ele permanece no cargo até as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro, e deixa a empresa em algum momento do próximo ano, segundo comunicado da Meta.

"Quando ele chegou, não havia um manual sobre como garantir que nossos produtos estivessem disponíveis para os bilhões de pessoas em todo o mundo que hoje dependem deles", afirmou Zuckerberg, no comunicado.

"Ao longo de todo esse período, ele foi um firme defensor de nossas políticas e um amigo para mim", completou o CEO da Meta.

Ex-assessor sênior do ex-presidente dos EUA George W. Bush e conhecido por seus vínculos com o Partido Republicano, Kaplan ingressou na Meta, então uma jovem empresa de mídia social, para ajudar a fortalecer os laços da companhia com a liderança republicana.

Antes da Meta, ele foi vice-chefe de gabinete da Casa Branca sob Bush e oficial de artilharia dos fuzileiros navais dos Estados Unidos.

Kaplan construiu, ao longo de mais de uma década, a ponte entre a Meta e a ala republicana de Washington.

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Quem assume o cargo

As atribuições de Kaplan ficam com dois executivos contratados recentemente por Zuckerberg: Dina Powell McCormick, presidente e vice-presidente do conselho da Meta, e C.J. Mahoney, diretor jurídico da empresa.

Zuckerberg contratou Powell McCormick em janeiro para liderar a expansão dos data centers da empresa, incluindo financiamento e relações públicas.

Mahoney, contratado no mesmo mês, supervisionou o acordo de US$ 17,1 bilhões que a Meta firmou com estados americanos em agosto, por danos à segurança infantil.

A Meta também mudou outras peças da cúpula. David Ginsberg, que por anos comandou comunicação e assuntos públicos da empresa, assumiu no mês passado uma nova função voltada a inteligência artificial.

É a mesma área em que a Meta apostou no jovem Alexandr Wang, de 29 anos, para liderar o desenvolvimento da tecnologia.

A saída de Kaplan expõe uma reformulação maior. Sob sua liderança, a Meta estreitou o alinhamento com o governo Trump, e Zuckerberg usou os laços com o presidente para moldar regras de inteligência artificial nos Estados Unidos.

Em outubro, o próprio Trump assinou com seis grandes empresas de tecnologia um pacto de autorregulação da inteligência artificial.

O que acontece agora

Kaplan segue no cargo até as eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, enquanto a Meta organiza a transição. A saída efetiva está prevista para algum momento de 2027, sem data definida pela empresa.