A inflação no Reino Unido subiu para 3,5% ao ano em setembro, segundo o ONS, ante 3,1% em agosto, o maior patamar desde outubro de 2025. A alta foi puxada pelos preços de combustível, que sobem com a guerra entre Estados Unidos e Irã.

De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS), a inflação de serviços subiu para 3,7%, ante 3,4% em agosto, acima da previsão de 3,6% feita por economistas. O núcleo do índice, que exclui alimentos, energia, álcool e tabaco, avançou para 2,8%, acima do esperado.

Os combustíveis tiveram alta de 29,8% em 12 meses até setembro, a maior taxa desde agosto de 2022. O país depende da importação de gás natural. A mesma guerra que move o petróleo já pressiona o preço da gasolina no Brasil.

O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE) já havia votado por 6 a 3 pela manutenção da taxa básica de juros em 3,75%, em 17 de setembro. Os três votos vencidos eram por elevar o juro a 4% no mesmo dia.

O banco central revisou, na ocasião, a previsão de pico da inflação, que antes era de 3,2% no fim de 2026, para um patamar pouco acima de 4% no início de 2027, bem distante da meta de 2%.

Até o momento, os custos globais de energia mais altos tiveram um efeito limitado sobre a formação de preços e salários no Reino Unido

A avaliação é do presidente do BoE, Andrew Bailey, ao justificar por que o banco optou por não subir os juros desde logo.

O mercado já precifica 98% de chance de o Banco da Inglaterra subir a taxa básica para 4% na reunião do mês que vem. Seria o primeiro aumento de juros do BoE desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.

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A alta nos preços não é exclusividade britânica.

Nos Estados Unidos, a inflação acelerou para 3,7% em 12 meses em setembro, puxada também pelos custos de energia.

O conflito entre americanos e iranianos, iniciado em fevereiro, já derrubou as exportações de petróleo do Irã a zero em setembro, pela primeira vez desde que a guerra começou. Esse corte de oferta ajuda a manter o preço da energia elevado em várias economias.

O que acontece agora

O Banco da Inglaterra se reúne de novo em novembro para decidir os juros, quando o mercado vê como quase certa uma alta para 4%.

Uma segunda elevação, para 4,25%, é apostada pelos investidores para a reunião de dezembro, caso a inflação continue acima da meta.