Pedaços deixados pelo cometa Halley em passagens antigas pelo Sistema Solar cruzam o céu brasileiro nesta quarta-feira (21), no pico da chuva de meteoros Orionídeas. O fenômeno pode produzir 20 ou mais meteoros por hora, segundo a Organização Internacional de Meteoros (IMO).

A chuva poderá ser vista em todo o Brasil, a olho nu. Os meteoros entram na atmosfera a 66 quilômetros por segundo, e alguns deixam rastros luminosos depois da passagem.

Qual o melhor horário para ver os meteoros?

O horário ideal é depois que a Lua se põe e antes do amanhecer, porque o brilho lunar atrapalha a visão dos meteoros mais fracos. Essa janela varia de cidade para cidade.

Janela sem luz da Lua para observar as Orionídeas na madrugada de 21/10/2026
CidadeMelhor horário
Recife (PE)1h20 às 3h43
Fortaleza (CE)1h31 às 4h02
Rio de Janeiro (RJ)2h09 às 3h57
São Paulo (SP)2h24 às 4h10
Porto Alegre (RS)2h51 às 4h16

No Norte e no Nordeste, as condições tendem a ser um pouco melhores: a região de onde os meteoros parecem surgir fica mais alta no céu, e o período sem luz da Lua costuma ser maior.

Como observar sem telescópio?

Não é preciso usar telescópio ou binóculo: esses equipamentos mostram só uma parte pequena do céu e podem até atrapalhar. O ideal é procurar um lugar escuro, com pouca luz artificial e visão ampla.

Para localizar a área de onde os meteoros parecem vir, procure a constelação de Órion, onde ficam as Três Marias. Ela sobe no céu entre o leste e o nordeste depois da meia-noite.

Mas os meteoros podem aparecer em qualquer parte do céu, não só perto dela — é melhor ter uma visão ampla do que ficar de olho fixo num único ponto.

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Os 20 meteoros por hora citados pela IMO valem para condições perfeitas de observação; dentro das cidades, com poluição luminosa, o número visível costuma ser bem menor.

Foi assim também na chuva de meteoros Delta Aquáridas, que teve pico em julho deste ano, e no eclipse lunar de agosto, também visível a olho nu em todo o país.

O que o cometa Halley tem a ver com isso?

As Orionídeas acontecem quando a Terra atravessa uma região cheia de poeira e pequenos fragmentos deixados pelo cometa Halley em passagens anteriores. Ao entrar na atmosfera em alta velocidade, esses pedaços produzem os rastros luminosos vistos no céu.

Isso não significa que o cometa Halley em si estará visível: ele tem órbita de 75 a 76 anos, passou perto da Terra pela última vez em 1986 e só deve voltar a se aproximar em 2061.

Nem todo fenômeno celeste tem essa sorte: o eclipse solar mais longo do século, em setembro, não pôde ser visto do Brasil.