Moradores da Índia, dos Estados Unidos e da Europa protestam contra data centers de inteligência artificial perto de casa, com queixas de ruído, mais consumo de eletricidade e estresse hídrico. A Índia aposta bilhões de dólares para virar polo de infraestrutura de IA.

Em Mumbai, o engenheiro Tushar Shetty viu a área verde em frente ao seu apartamento, no 21º andar, virar um canteiro de obras da Amazon. A empresa planeja investir US$ 21 bilhões em infraestrutura de IA no país até 2030.

Eu não teria comprado o imóvel se soubesse disso.

A frase é de Shetty, de 46 anos. A cena se repete em outros lugares: subúrbios da Virgínia, nos Estados Unidos, e periferias de Amsterdã e Dublin também têm moradores revoltados com ruído, consumo de eletricidade e a industrialização de bairros residenciais.

Amazon, Google e Microsoft investem bilhões de dólares na Índia, atendendo à ambição de Modi de hospedar "os dados de todo o mundo", com projetos em Maharashtra e em Andhra Pradesh.

A Índia tem 4% da água doce do mundo para 18% da população global. A S&P Global estima que entre 60% e 80% dos centros de dados indianos podem enfrentar alto estresse hídrico nesta década.

Em 2025, data centers na Índia consumiram 150 bilhões de litros de água.

O Brasil vive um boom parecido de data centers. O país fechou o 1º semestre de 2026 com 706 megawatts de capacidade instalada, seis vezes mais que em 2012, segundo a consultoria JLL.

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O investimento brasileiro de 2026 soma cerca de US$ 8 bilhões, e deve chegar a US$ 17,4 bilhões até 2030. São Paulo concentra 38% da capacidade instalada no país.

O Ceará já viveu uma versão local do conflito indiano: o Ministério Público Federal pediu a suspensão de um data center de R$ 200 bi do TikTok no estado.

A energia necessária para abastecer o setor já é um teste para o país.

O mesmo gargalo que incomoda a Índia já tem número no Brasil. Um data center de 100 megawatts pode consumir 2,3 milhões de litros de água, segundo estimativa de especialistas.

O ponto em aberto

A Índia mostra o que acontece quando o boom de data centers cresce mais rápido que a água e a energia ao redor.

O Brasil tem 706 megawatts instalados e outros 660 em construção até 2030, ainda sem o mesmo nível de estresse hídrico relatado nos bairros indianos. A pergunta é se o ritmo de investimento vai esbarrar no mesmo tipo de resistência antes que a infraestrutura acompanhe.