A Justiça de Campinas condenou a Ponte Preta a pagar R$ 53.280,14 a uma padaria perto do Estádio Moisés Lucarelli, por falta de pagamento desde maio de 2025. A decisão é do juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra, da 5ª Vara Cível de Campinas.
O clube contestou alegando falta de prova de entrega, já que a padaria apresentou só notas fiscais, sem os canhotos assinados. O juiz rejeitou o argumento.
O magistrado observou que o diretor jurídico do clube, José Henrique Specie, já havia reconhecido publicamente a dificuldade de pagar a fornecedora e o desejo de negociar, antes de a defesa contestar o valor no processo.
Não se mostra lícito nem condizente com a boa-fé objetiva que a ré, extrajudicialmente, assuma sua crise e admita a existência da pendência perante o credor e a mídia, mas, em juízo, tente afastar a obrigação de pagar.
O magistrado também destacou o "grave comprometimento" das receitas do clube e concedeu Justiça gratuita à Ponte Preta. Por causa do Regime Centralizado de Execuções (RCE), que organiza as dívidas do clube, o pagamento vai depender de um plano de credores definido por outro juiz.
O valor ainda pode subir com juros e correção monetária.
Procurada pelo ge, a assessoria de imprensa do clube informou que a diretoria não vai se pronunciar sobre o processo.
O clube que silenciou sobre a dívida da padaria é o mesmo que, semanas antes, cortou o pão dos próprios funcionários.
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A dívida com a padaria é um capítulo recente da mesma crise. Em 23 de setembro, um aviso na cantina da Ponte Preta determinou que cada funcionário só podia consumir um pão por dia.
A dívida total do clube soma R$ 320 milhões, segundo o levantamento mais recente, de setembro. Outro balanço, de 2025, apontava R$ 239,8 milhões, ante R$ 154,2 milhões em 2017. A alta foi de 55% em oito anos.
O time já foi rebaixado à Série C pela 2ª vez em 2026. Antes, caiu também no Campeonato Paulista, em fevereiro. Na Série B, terminou na lanterna, com 13 pontos.
A dívida com a padaria não é a única cobrança recente: em setembro, uma dupla processou o clube por R$ 385 mil em verbas trabalhistas.
O que acontece agora
O valor final da dívida com a padaria ainda depende do cálculo de juros e correção monetária. Como o débito entra no Regime Centralizado de Execuções, o pagamento será definido pelo juiz que administra o plano de credores do clube.
A crise esportiva segue junto da financeira: a Ponte Preta vai disputar a Série C em 2027 depois de amargar a pior fase da história do clube, com público reduzido nas arquibancadas.





























