Um site de criptomoedas distribui tokens a quem divulgar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais, usando o perfil de crianças de Uganda com 12,9 milhões de seguidores. Lançado na terça-feira (6), o esquema levanta indício de vantagem econômica proibida pela lei eleitoral.
A iniciativa "Brasil 22 Token" (B22) é promovida pelo perfil @hyperskidsafrica no Instagram, descrito no site da campanha como "parceira oficial". O número 22 é o da urna de Flávio na disputa com Lula (PT), marcada para 25 de outubro.
Em post, o perfil das crianças agradeceu o recebimento de 120 milhões de tokens $B22 e citou nominalmente Flávio, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-candidato Pablo Marçal (PRTB), hoje aliado de Flávio.
Por que isso pode ser ilegal?
A lei eleitoral veda oferecer vantagem econômica a quem divulga propaganda na internet e proíbe empresa de doar recursos a campanha, mesmo em criptomoeda. Três especialistas ouvidos pelo g1 apontam indícios de violação no esquema do B22.
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Casos de perfil digital não declarado já tiveram consequência nesta eleição. Em agosto, a Justiça suspendeu a campanha de Renan Santos por perfis não declarados.
"A legislação eleitoral estabelece limites à utilização de recursos financeiros e vantagens econômicas para promover candidaturas, especialmente no ambiente digital", afirma o advogado criminalista Juarez da Silva. Se a entrega dos tokens depender de propaganda, o esquema pode configurar ilícito eleitoral.
Trata-se da mesma lógica e estrutura do que Marçal fazia: oferece incentivos financeiros para as pessoas divulgarem a campanha e o candidato.
A comparação é do advogado eleitoral Hélio Silveira. O precedente já existe: em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve 8 anos de inelegibilidade de Pablo Marçal, que usou mecanismo parecido para pedir voto.
O tribunal também aplicou multa de R$ 420 mil por uso indevido dos meios de comunicação. O caso virou referência entre advogados eleitorais que acompanham o mercado de criptoativos na política.
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O Brasil 22 Token nega vínculo oficial com Flávio Bolsonaro, o PL ou a campanha. Em nota no próprio site, afirma não haver "garantia de retorno financeiro" e que a distribuição dos tokens é "independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda eleitoral".
O que acontece agora
O 2º turno é domingo (25), das 8h às 17h.
A regra sobre vantagem econômica na internet já gerou punição em casos como o de Marçal e está entre os temas que o TSE fiscaliza na reta final da propaganda eleitoral do 2º turno.





























