O Papa Leão XIV alertou nesta sexta-feira (25), no Palácio do Eliseu, que a inteligência artificial pode criar um "paraíso de máquinas" que ameaça tirar a humanidade do centro da vida cotidiana. A fala abriu a visita de 4 dias do papa à França.
É o primeiro papa dos Estados Unidos, e a inteligência artificial é um dos temas centrais dos 16 meses de seu pontificado. A visita é a primeira de um pontífice à França em quase 20 anos.
No Eliseu, ao lado do presidente Emmanuel Macron, o papa detalhou o risco que vê no avanço da tecnologia.
Se quisermos evitar perder nossa humanidade em meio a um 'paraíso de máquinas' que invade e condiciona nosso cotidiano, há uma necessidade urgente de educação em discernimento ético.
Macron discursou no mesmo evento e defendeu a criação de uma organização internacional para evitar que os modelos mais avançados de IA fiquem "nas mãos de poucos". Para o presidente francês, "a inteligência artificial deve ser uma serva, não uma mestra".
O alerta não é novo para o Vaticano. Em janeiro de 2025, ainda sob o papa Francisco, a Igreja publicou o documento "Antiqua et Nova", com 117 parágrafos sobre os riscos e as oportunidades da IA na educação, no trabalho e na guerra.
O documento já alertava que o poder sobre as principais aplicações de IA está concentrado "nas mãos de algumas empresas poderosas". É o mesmo temor que Leão XIV repete agora em Paris.
A visita também tocou temas sensíveis para a política francesa. O papa criticou a lei que autoriza a morte assistida no país, aprovada dois meses antes. Ele também pediu que a França não trate a guerra como algo "inevitável".
Na segunda (28), o papa apresenta sua visão para o futuro da Europa.
É a segunda vez em dois dias que o papa repete o alerta sobre IA. Na véspera, Leão XIV já havia dito que o risco de um apocalipse causado pela IA é real.
O tema também mobiliza a política brasileira. Em setembro, Lula pediu regulação 'dura' da IA no mesmo dia em que a OpenAI admitiu temer os riscos da tecnologia.
No Brasil, o debate sobre regras para a tecnologia segue em aberto. Um panorama da regulação da inteligência artificial no país mostra que o marco legal ainda está em construção.
O papa repete, dois dias seguidos, o mesmo aviso que a Igreja já fazia por escrito desde 2025, sem ver resposta concreta ao problema que aponta.
O ponto em aberto
O Vaticano já apontava a concentração do poder sobre a IA em poucas empresas desde o documento de janeiro de 2025, no papado de Francisco. Mais de um ano depois, Leão XIV repete o alerta na França, sem propor como conter essa concentração.






























