Donald Trump reuniu 34 líderes de tecnologia para um almoço sobre inteligência artificial na Casa Branca nesta terça-feira (29), batizado de "Super Intelligence Luncheon". O mapa de assentos que o presidente publicou nas redes sociais revelou quem tem mais acesso a ele dentro da indústria.

Elon Musk (Tesla e SpaceX) e Jensen Huang (Nvidia) sentaram ao lado do presidente, no centro do poder.

Dario Amodei, da Anthropic, que caminha para abrir capital na bolsa, é um dos principais defensores de regras mais rígidas para a IA. Ele ficou nas extremidades da mesa.

O lugar de destaque para Musk marca a reaproximação dele com Trump, depois de meses de atritos públicos sobre políticas do governo. Huang, visitante frequente da Casa Branca, tem defendido ao presidente o afrouxamento das restrições à exportação de chips de IA para a China.

No segundo círculo de influência estavam Jeff Bezos (Amazon) e Satya Nadella (Microsoft), sentados em frente a Trump. Mark Zuckerberg (Meta) e Sundar Pichai (Google) também ficaram perto do núcleo central.

Essas empresas somam dezenas de bilhões de dólares investidos em IA e data centers.

Quem senta mais perto do presidente também tem mais chance de moldar as regras do setor.

O que foi assinado no mesmo encontro?

No mesmo almoço, Trump disse ter assinado com os líderes de tecnologia o acordo moralmente vinculante sobre superinteligência, com quatro itens: monitoramento interno dos modelos, equipe própria de controle, auditoria externa e um comitê do conselho para supervisionar tudo isso.

O deputado Mike Johnson chamou o documento de declaração de princípios "voluntária por parte da indústria". Questionado se o acordo é vinculante, Trump respondeu que é "moralmente vinculante".

Por que a cadeira de Amodei chamou atenção?

Amodei tem confrontado publicamente a visão antirregulatória de Trump e reiterou, no almoço, que as regras para os riscos da IA ainda estão em discussão.

"Todos nós precisamos trabalhar juntos para garantir que podemos vencer, e podemos vencer com segurança", disse Amodei durante o encontro.

Trump disse a jornalistas que vê uma tremenda autofiscalização no setor e que o governo avalia criar um comitê de dez integrantes para supervisionar a IA, em vez de regulação formal, caminho oposto ao que o Brasil defende em fóruns internacionais sobre IA.

O que acontece agora?

O acordo assinado na Casa Branca não tem força de lei: é um compromisso voluntário, sem sanção prevista para quem descumprir. A composição do comitê de supervisão que Trump cogita criar ainda não foi definida.