O coach Enrique Mackenzie, 40, ex-integrante do Opus Dei, contou à CNN Brasil que recebeu tratamento de conversão e remédios psiquiátricos aos 14 anos, quando a instituição descobriu que ele era gay. Ele foi expulso do grupo católico aos 17 anos.
Natural de El Salvador, Mackenzie estudou em escola do Opus Dei desde os dois anos e passou a frequentar as atividades do grupo aos 12, que incluíam aulas de religião e esportes.
Como foi o processo de aceitação
"Foi um processo muito longo para me assumir, foram pelo menos sete anos, com ajuda terapêutica", contou Mackenzie à CNN Brasil. Uma bolsa de estudos em Taiwan e um intercâmbio na Bélgica o ajudaram a entender que ser gay "não era uma doença".
"Entendi que ser gay não era um problema, que era uma coisa normal, e que eu merecia também ter um relacionamento com outros homens, a vida de uma pessoa jovem, ir a festas, bares entre amigos", disse à CNN Brasil.
"Foi um processo muito longo e difícil para mim, até eu conseguir me aceitar, aos 25 anos. A partir daí fiz mais de 20 anos de terapia para conseguir me livrar daquela culpa com que eu cresci", completou.
O que Mackenzie faz hoje
Hoje, Mackenzie trabalha como coach de pessoas LGBTQIAPN+ que enfrentam traumas como os dele. Ele diz ter perdoado a instituição, mas cobra responsabilização. Para ele, perdoar fecha a ferida, mas não fecha a porta por onde ela entrou.
"É importante que eles se responsabilizem desse abuso espiritual, psicológico e sistêmico que acontece em vários países do mundo", disse Mackenzie à CNN Brasil.
O relato de Mackenzie integra a minissérie "O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei", que estreou em 25 de setembro na HBO Max. A produção reúne 14 homens de 11 países, incluindo ex-membros que ocuparam cargos de liderança na organização.
O tema da responsabilização de instituições religiosas por abusos do passado também apareceu em setembro, quando o papa Leão XIV pediu que a Igreja "encare o passado", sem citar diretamente casos como o do Opus Dei.
Histórias como a de Mackenzie também ganham espaço em eventos no Brasil: a Parada do Orgulho LGBT+ deste ano reuniu multidões discutindo pautas semelhantes de aceitação e direitos.
No Brasil, o governo federal também tem atuado na área: em junho, lançou campanha para promover direitos da população LGBTQIA+ no país.






























