Os beneficiários do Bolsa Família responderam por 85% do saldo líquido de empregos formais abertos no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foram 4,6 milhões de vagas com carteira assinada.

O levantamento, assinado pelos economistas Valdemar Pinho Neto e Luiz Gustavo Barbosa, cruzou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com as folhas de pagamento do programa e o Cadastro Único (CadÚnico).

No país inteiro, o mercado de trabalho formal seguiu aquecido no período, com saldo de 5,38 milhões de vagas. Os beneficiários tiveram 15,3 milhões de contratações e 10,8 milhões de demissões, uma fatia de 16,7% das contratações e 12,5% das demissões do país.

O perfil de quem conseguiu os novos postos: jovens de 18 a 24 anos somam 40,5% do saldo (1,9 milhão de vagas); pessoas pardas, 62,7% (2,9 milhões); mulheres, 55,4% (2,5 milhões).

O retrato que emerge é de beneficiários jovens, pardos e mulheres entrando no mercado formal. "Uma crítica de que as pessoas do Bolsa Família não querem trabalhar não é uma crítica válida quando você olha para os números", disse Pinho Neto.

Um outro estudo da FGV mostra o oposto?

Outro levantamento do FGV Ibre, assinado pelo economista Daniel Duque, encontrou o inverso dentro do grupo de beneficiários. Segundo ele, para cada duas famílias que recebem o Bolsa Família, uma sai da força de trabalho.

Segundo esse estudo, a participação na força de trabalho caiu 11% entre os elegíveis ao programa, e a ocupação formal dentro desse grupo recuou 12%.

O mesmo período teve a taxa de desemprego mais baixa da série, 5,8% em junho de 2025, e a participação geral da força de trabalho caiu de 63,4% para 62,4%.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, também do FGV Ibre, questiona se o desenho atual do Bolsa Família é muito diferente do programa original.

Quando sai o pagamento de outubro?

Os repasses de outubro começam no dia 19 e vão até o dia 30, por final do Número de Identificação Social (NIS).

O valor mínimo garantido pelo programa passa a ser de R$ 691 por família, após o reajuste que entrou em vigor em setembro.

Famílias em municípios com decreto de emergência por causa da estiagem na Amazônia, além de povos indígenas e quilombolas, recebem o pagamento unificado logo no primeiro dia, 19 de outubro.

O ponto em aberto

Os dois estudos da FGV medem coisas diferentes. Um mostra a fatia dos novos empregos formais do país que foi para beneficiários; o outro, a taxa de participação no mercado de trabalho dentro do próprio grupo.

Os dois podem estar certos ao mesmo tempo, porque respondem perguntas distintas. Nenhum dos dois mede se o programa é a causa do que encontrou.