A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou nesta segunda-feira (28) o tavapadon, um comprimido para tratar a doença de Parkinson em adultos. Vendido como Juvmo pela farmacêutica AbbVie, ele atua por um caminho diferente no cérebro dos remédios usados há décadas.
Tomado uma vez ao dia, sozinho ou junto com a levodopa (o remédio mais usado contra a doença), o tavapadon deve chegar às farmácias americanas em outubro. No Brasil, ainda não há previsão de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Especialistas ouvidos pelo g1 veem a aprovação como um passo importante, mas reiteram que o ganho de movimento se parece com o de tratamentos que já existem. A aposta do novo remédio é ser mais bem tolerado, o que os estudos ainda não comprovaram.
Outra frente de pesquisa é o transplante de células para repor os neurônios perdidos, ainda em fase experimental.
O que falta no cérebro de quem tem Parkinson?
O Parkinson atinge mais de 11 milhões de pessoas no mundo. A doença surge quando morrem aos poucos os neurônios que produzem dopamina, substância que o cérebro usa para comandar os movimentos.
Sem dopamina, o corpo fica lento e rígido, os braços e as pernas tremem, a postura se curva e o rosto perde expressão, explica o neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e pós-doutor pela Unifesp.
A doença também causa prisão de ventre, perda de olfato e depressão.
O tratamento tenta repor o efeito da dopamina. A levodopa, base da terapia, é transformada em dopamina pelo próprio cérebro. Outros remédios imitam a substância e, em alguns casos, um implante de eletrodos ajuda a regular os circuitos do movimento.
Com os anos, porém, cada dose dura menos. O paciente alterna momentos de bom movimento, chamados "on", com episódios em que os sintomas voltam, os "off".
Aumentar a dose alivia, mas pode causar discinesias, os movimentos involuntários que, segundo Picarelli, chegam a incomodar mais que a própria doença.
O que o novo remédio faz de diferente?
A dopamina age no cérebro ao se encaixar em receptores, que funcionam como fechaduras; existem cinco tipos, e cada um abre portas diferentes. Os remédios usados no Brasil, como pramipexol e rotigotina, atuam sobretudo nos receptores D2 e D3.
O tavapadon é o primeiro remédio aprovado que age como agonista dos receptores D1 e D5, via diferente da usada pelos tratamentos disponíveis até agora.
Nos estudos de fase 3 do programa TEMPO, pacientes que já tomavam levodopa ganharam cerca de 1 hora a mais de tempo "on" sem discinesia incômoda, na comparação com placebo.
Após 85 semanas, a maior parte não precisou aumentar a dose de levodopa nem começar a usá-la.
Os números mostram eficácia parecida com a dos remédios já existentes, mas não respondem se o tavapadon causa menos efeitos colaterais. Essa é a pergunta que os estudos ainda não resolveram.
Os efeitos colaterais mais comuns nos estudos foram náusea, dor de cabeça e tontura. Alucinações apareceram em 7% dos pacientes com tavapadon, contra 1% no grupo placebo.
O que acontece agora?
O preço do tavapadon ainda não foi divulgado, e não há previsão de registro do remédio no Brasil. A Anvisa já aprovou outros tratamentos recentes para Parkinson avançado, como a foslevodopa e o Vyalev.






























