A agência de inteligência da Coreia do Sul classificou Kim Jong-un como "extremamente obeso", com mais de 140 quilos, segundo o parlamentar Youn Kun-young, que citou o relatório nesta terça-feira (30). O serviço também o considera de alto risco para doença cardiovascular.

Com cerca de 1,70 m de altura, os 140 kg dão a Kim um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40, faixa que a medicina classifica como obesidade mórbida.

Segundo Youn, Kim não tem dificuldade para atividades físicas, como subir escadas, e é monitorado de perto por uma equipe médica particular, sem sinais de problemas de saúde. A saúde de líderes norte-coreanos é questão de Estado, não só de saúde pessoal.

Por que a saúde de Kim preocupa outros países?

Uma morte repentina de Kim Jong-un poderia gerar incertezas sobre a sucessão e a estabilidade da Coreia do Norte, país que possui armas nucleares. É por isso que serviços de inteligência de vários países monitoram sua saúde de perto.

O padrão já se repetiu duas vezes na família Kim. O avô, Kim Il-sung, morreu de ataque cardíaco em 1994, aos 82 anos. O pai, Kim Jong-il, também obeso e fumante, morreu de infarto em 2011, aos 69 anos, numa viagem de trem.

O chef Paul Smart, que trabalhou com os cozinheiros de Kim durante a cúpula com Donald Trump no Vietnã, em 2019, descreveu a preferência do líder norte-coreano por alimentos de luxo.

"Ele gosta de caviar, lagosta, produtos muito luxuosos como foie gras", disse Smart.

Enquanto o líder come caviar e lagosta, a Coreia do Norte enfrenta carências alimentares graves entre a população, sob sanções internacionais por seus programas de armamento.

Quem poderia suceder Kim Jong-un?

A inteligência sul-coreana avalia que Kim prepara a filha, Kim Ju-ae, de 12 ou 13 anos, como provável sucessora. Ela foi apresentada publicamente em 2022 e passou a aparecer em eventos oficiais, incluindo uma viagem a Pequim em setembro.

Nem todos os analistas concordam. Um artigo de opinião publicado em fevereiro argumenta que Kim Ju-ae não foi designada sucessora.

Segundo esse argumento, não haveria motivo para o pai arriscar fragmentação de poder nomeando uma criança de 13 anos, numa época em que ele próprio não tinha problemas de saúde aparentes.

A Coreia do Norte nunca teve uma líder mulher desde a fundação do regime, em 1948.

O ponto em aberto

O que conecta os dados não é o peso em si. É o padrão: duas gerações da mesma família morreram de problemas cardíacos, e a saúde do terceiro líder virou informação de inteligência monitorada por vários países.

Nenhuma fonte confirma se Kim vai seguir o mesmo caminho do pai e do avô.

O que já está estabelecido é a razão pela qual o mundo segue de olho nisso: a Coreia do Norte tem armas nucleares, e incerteza na sucessão é um risco que nenhum país vizinho quer administrar às pressas.

Esse cuidado ocorre no mesmo momento em que o controle de armas nucleares no mundo passa por um momento delicado.