O déficit da balança comercial de automóveis do Brasil chegou a US$ 5,53 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). É o pior resultado da série histórica para o período, com alta de 835%.

A importação de veículos somou US$ 9,42 bilhões entre janeiro e setembro, 76,7% mais que em 2025 e o maior valor da série para o período. A China foi origem de 66,5% de todos os automóveis importados no acumulado dos nove meses.

Em valores correntes, o país comprou US$ 6,26 bilhões em carros chineses, mais que o dobro dos US$ 2,36 bilhões de 2025. O rombo do setor automotivo já consome fatia relevante de todo o superávit que o Brasil acumula no comércio exterior neste ano.

CEO da BYD do Brasil fala em audiência pública sobre recarga de veículos elétricos na Câmara dos Deputados

As exportações de carros caíram 18% no período, perdendo o fôlego dado pela Argentina em 2025. Dado preliminar de outubro mostra o mesmo ritmo, com as importações crescendo 138% na média diária até a quarta semana do mês. O padrão se repete mês a mês.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o dinamismo deve perdurar até o fim de 2026. Mais adiante, o cenário depende da política comercial dos EUA após a derrota eleitoral de Trump e de outras medidas protecionistas.

Por que a indústria nacional reage

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reage à pressão da chinesa BYD por uma eventual volta das cotas de importação sem tarifa para elétricos, suspensas desde janeiro. A entidade ameaça recorrer à Justiça se o governo ceder.

Publicidade

Para a Anfavea, as regras já em vigor estão funcionando e o mercado de eletrificados cresce no Brasil sem a necessidade da isenção. O presidente da entidade, Igor Calvet, resume a posição:

A possível volta do benefício para veículos elétricos importados desestimularia o processo de nova industrialização defendido pelo próprio governo e colocaria em risco a criação e a preservação de milhares de empregos no Brasil.

A disputa já vinha de antes: no primeiro semestre, a fatia das marcas chinesas no mercado brasileiro dobrou e chegou a 21%. As importações de carros chineses dobraram no mesmo intervalo, de 70 mil para 140 mil unidades, segundo o Mdic.

Em julho, a Anfavea já havia criticado a isenção para elétricos chineses.

O que acontece agora

O calendário oficial da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) prevê o retorno gradual da tarifa de importação sobre veículos eletrificados até 35% em janeiro de 2027. A tarifa de 35% para veículos completos e kits SKD já estava prevista para julho de 2026.

O debate sobre a renovação da isenção para kits CKD e SKD deve voltar à pauta do governo nas próximas semanas. A Anfavea pressiona para que o cronograma de tarifas não mude.