Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais de câncer de mama do que mulheres brancas no Brasil, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O trabalho reúne 24 pesquisas realizadas em seis países, incluindo o Brasil.
A taxa foi calculada com base em dados de pacientes entre 50 e 69 anos. Apesar de a incidência da doença ser menor entre mulheres negras, a mortalidade é desproporcionalmente mais alta.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, mais de 61% das mulheres brancas fazem mamografia de rastreamento, contra 54% a 56% das mulheres pretas e pardas.
"A gente sabe que, historicamente, a população negra tem menos acesso aos serviços de saúde, menos acesso aos exames de detecção precoce e ao tratamento. O diagnóstico precoce tem uma importância fundamental", disse Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do Inca.
Mulheres negras também têm mais incidência do subtipo triplo negativo do câncer, considerado o mais agressivo.
Para o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, os dados indicam que mulheres negras podem ter um subtipo biologicamente mais agressivo da doença e menor acesso aos serviços de saúde, o que atrasa o diagnóstico.
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"O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade", afirmou Gil. O Inca recomenda fortalecer a prevenção e reduzir fatores de risco, como obesidade e consumo de álcool.
A empresária Solange Barbosa de Freitas descobriu o câncer de mama em 2019, aos 51 anos, num exame de rotina. "Eu achava que o câncer seria um fim, e não é. Eu escolhi reagir e deu tudo certo", contou.
Já a recepcionista Joyce do Nascimento recebeu o diagnóstico há quase dez anos, aos 23 anos. Fez quimioterapia e, um ano depois, uma mastectomia total da mama esquerda.
Joyce não enfrentou dificuldades para ter acesso ao tratamento. Mas essa não é a realidade de muitas mulheres negras diagnosticadas com câncer de mama, segundo o Inca. Elas costumam ser identificadas em estágios mais avançados e em idades mais jovens.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil, com cerca de 66,54 casos para cada 100 mil brasileiras. O país deve registrar 781 mil novos casos até 2028, segundo o Inca.
O que muda no SUS
A espera por tratamento no SUS já é três vezes maior do que a lei permite, o que agrava o acesso desigual.
Por outro lado, o teste genético de câncer de mama passa a ser gratuito pelo SUS a partir de novembro.
A desigualdade também aparece em outras frentes. Em julho, a Marcha das Mulheres Negras levou milhares a Copacabana para cobrar a aprovação da PEC da Reparação.































