Um estudo publicado em 1960 na revista Science previu o colapso da humanidade na sexta-feira (13 de novembro de 2026), em razão da superpopulação do planeta. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra o oposto: a natalidade no Brasil caiu, não subiu.
O artigo "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026" foi assinado pelo físico austro-americano Heinz von Foerster, da Universidade de Illinois, com os colegas P. M. Mora e L. W. Amiot.
Os três ajustaram uma fórmula a dois mil anos de dados populacionais e projetaram que a humanidade chegaria a um número infinito de habitantes nesta data.

Em 1960, a população mundial era de cerca de 2,7 bilhões de pessoas. A previsão entrou para a lista de profecias de fim do mundo que não se confirmaram, ao lado da de 2012, que até inspirou um filme de Hollywood.
Segundo o IBGE, a pesquisa "Estatísticas do Registro Civil 2024" registrou 2.442.726 nascimentos em cartórios no país. O número de 2023 foi de 2.523.267. A diferença representa uma queda de 5,8%, ou 146.366 nascimentos a menos em um único ano.
O instituto também estima que o crescimento da população brasileira perde ritmo. A taxa foi de 0,37% entre 2025 e 2026, ante 0,39% no período anterior. O país tinha 214,2 milhões de habitantes em 1º de julho deste ano.
Por que a previsão de 1960 não se confirmou
A fórmula de von Foerster extrapolava um ritmo de crescimento populacional mais acelerado que o exponencial, o mesmo que a humanidade vinha registrando havia dois milênios. Esse ritmo começou a desacelerar justamente nas décadas seguintes à publicação do estudo.
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A previsão falhou por olhar só para trás: ritmos de crescimento extremos raramente se sustentam por muito tempo.
A seriedade da previsão é discutida até hoje. Alguns analistas leem o artigo como uma parábola para alertar sobre a superpopulação, não como um cálculo literal. Outros registros da época mostram que parte da comunidade científica tratou a data ao pé da letra.
A diminuição dos nascimentos preocupa hoje por um motivo oposto ao de 1960, o envelhecimento da população.
Economistas apontam que a força de trabalho encolhe à medida que a sociedade envelhece, o que pode pressionar a inflação, mudar hábitos de consumo e sobrecarregar programas voltados a idosos.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que a queda nas taxas de natalidade vai transformar de forma permanente a composição demográfica das maiores economias do mundo.
O fenômeno já é tema de outras reportagens da TV Sim Brasil. Em agosto, o IBGE projetou que o Brasil vai parar de crescer daqui a 16 anos, e levantamos os cinco fatores que mais influenciam a queda da taxa de natalidade no país.
O impacto chega também a quem já nasceu: mais brasileiros hoje sem filhos se perguntam quem vai cuidar deles na velhice. Do lado da economia, cresce o setor que atende aos mais velhos, batizado de economia prateada.
O que os números mostram daqui para frente
O IBGE não projeta reversão da tendência. Os dados mais recentes confirmam que o ritmo de crescimento populacional segue menor a cada levantamento. O instituto deve divulgar novas Estatísticas do Registro Civil ao longo de 2027, com os números fechados de 2026.






























