A abstenção, o voto nulo e o voto em branco podem decidir o 1º turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico, e levar quem já escolheu lado até a urna virou parte da disputa.

Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), chama esse fenômeno de "alienação eleitoral": a soma de abstenção, votos brancos e nulos. Para ele, esse indicador pode desequilibrar a reta final da campanha.

Esse eleitor pêndulo que votou com Lula lá atrás em 2022 e que agora está disperso nessa eleição é esse público que vai ser decisivo nessa reta final da campanha.

Para Medeiros, a polarização já consolidou boa parte do eleitorado de Lula e de Flávio. Isso aumenta a importância de quem ainda não está de nenhum lado, incluindo o eleitor que votou em Lula em 2022 e se dispersou nos últimos quatro anos.

Esse eleitor pêndulo costuma ser jovem, morador do Sudeste, de renda intermediária e com ensino médio completo, segundo o cientista político.

Por que o comparecimento virou estratégia de campanha

As campanhas de Lula e Flávio miram o comparecimento porque a base de cada um já está consolidada nas pesquisas: falta transformar apoio declarado em voto de fato registrado na urna, segundo o analista João Paulo Machado, da XP.

"É necessário que esse eleitor ideológico dos dois lados compareça às urnas", disse Machado, para quem entusiasmo político ou declaração de preferência não bastam.

Machado pondera que não é possível antecipar o tamanho da abstenção em 2026. Mas considera que uma variação relevante pode afetar o resultado numa disputa de margens estreitas.

Em 2022, a abstenção no 2º turno foi de 20,59%, a menor desde 2006, e foi a primeira vez que mais eleitores compareceram no 2º turno do que no 1º. Das 156,4 milhões de pessoas aptas a votar, 124,2 milhões foram às urnas.

O 1º turno das eleições 2026 acontece em 4 de outubro, e as pesquisas mostram Lula e Flávio próximos.

Uma simulação de 2º turno já mostra os dois em empate técnico, o que reforça o peso de cada voto.

O eleitor pêndulo citado por Medeiros se concentra no Sudeste, região que tem 42% do eleitorado nacional e onde Flávio já reforça a agenda de campanha.

O que acontece agora

Se nenhuma candidatura à Presidência alcançar maioria absoluta em 4 de outubro, o 2º turno acontece em 25 de outubro, conforme resolução do TSE. Até lá, convencer o eleitor disperso a comparecer segue no centro da disputa.

A diferença entre vencer e perder pode estar menos em quem os candidatos convencem a mudar de voto e mais em quem eles conseguem tirar de casa.