O chefe da polícia de Paris, Patrice Faure, disse neste sábado (3) que o protesto estudantil espalhado pela França está "fora de controle". Em carta aberta, ele pediu que os manifestantes voltassem a formas pacíficas antes de novos atos marcados para terça-feira (6).

"É hora de voltar a formas pacíficas de ação", escreveu Faure. Ele atribuiu parte da escalada a "manifestantes profissionais" e cobrou dos pais a responsabilidade de afastar os filhos dessa influência.

A polícia de choque entrou em confronto com estudantes em várias regiões do país na sexta-feira (2). Segundo a porta-voz da polícia nacional, Agathe Foucault, mais de 600 policiais ficaram feridos desde o início dos protestos.

Por que os estudantes estão nas ruas?

O movimento começou nos liceus da região de Paris e se espalhou para cidades como Lille, Lyon, Marselha e Dijon. Os estudantes reclamam de salas superlotadas, falta constante de professores e prédios escolares malcuidados.

O governo francês atribui a escalada de violência a uma suposta "operação organizada" da extrema esquerda, citando o partido LFI, de Jean-Luc Mélenchon. Essa versão ainda não foi confirmada por fontes independentes.

A mobilização ocorreu dias antes de o governo apresentar o orçamento de 2027, que prevê cortes de gastos públicos e o congelamento de salários de professores. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma célula de crise para tratar do caso.

O presidente Emmanuel Macron, que neste ano também alertou a Europa sobre uma "guerra híbrida" vinda da Rússia, chamou as preocupações dos estudantes de legítimas, mas disse que elas não justificam violência contra policiais e professores.

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O que o orçamento de 2027 pode decidir

Em 2018, outro movimento de protesto na França, o dos coletes amarelos, reuniu 282 mil pessoas logo no primeiro ato, uma escala muito maior do que a dos protestos estudantis de agora. Ainda assim, aquele movimento forçou recuos do governo Macron meses depois de começar.

O desfecho desta vez depende de uma data concreta: a apresentação do orçamento de 2027, nos próximos dias, com os cortes que ajudaram a inflamar o movimento.

Se o texto for mantido como está, a tendência é o protesto crescer. Se houver recuo do governo nos salários dos professores, a mobilização tem motivo concreto para perder força.