Candidatos de direita transformaram o funk em trilha da campanha presidencial de 2026, mesmo após anos criticando o gênero e associando-o à narcocultura. Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, todos do PL, fizeram atos com o ritmo, segundo o g1.

Das 50 músicas mais ouvidas no Brasil no domingo (25) do 2º turno, seis eram canções de apoio a Flávio ou com críticas a Lula (PT), segundo o Spotify.

Um dos refrões mais tocados dizia: "Quem ficar parado é petista disfarçado". A frase embalava manifestações e ajudava a engajar jovens nas redes sociais.

Em Vitória (ES), Flávio dançou funk em cima de um trio elétrico, ao lado de Nikolas Ferreira. Cenas como essa se repetiram em outras cidades, como no ato que reuniu multidão em Manaus com Nikolas e Pavanato.

A contradição com o discurso de direita

O uso do funk contrasta com discursos anteriores desses mesmos políticos, que associam o gênero à narcocultura. Procurados sobre a hipocrisia, eles dizem que a crítica mira letras específicas e festas em favelas, não o ritmo em si.

O caso mais direto é o de Lucas Pavanato (PL). Como vereador em São Paulo, ele relatou a CPI dos Pancadões, que apontou, no relatório final, que os bailes funcionam como "espaços de difusão e normalização" da narcocultura.

Pavanato também chamou atenção no debate do 2º turno, quando recebeu tapinhas no rosto dadas por Haddad depois de provocá-lo ao vivo.

Meses depois da CPI, ao usar o próprio gênero no jingle de campanha, Pavanato minimizou a contradição.

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"O problema do funk obviamente é a letra, não o ritmo. Quem não percebe essa diferença tem déficit cognitivo"

A frase é do próprio deputado, que teve mais de 3 milhões de votos e se tornou o deputado federal mais votado da história de São Paulo.

O jingle de Pavanato foi produzido pela Prismah, a mesma produtora responsável pelas trilhas de campanha de Flávio e Nikolas Ferreira.

Nikolas Ferreira já associou publicamente o funk à cultura do estupro, durante debates do Projeto de Lei da Misoginia na Câmara dos Deputados.