A psicóloga Mara Suassuna, de Goiás, disse ter recebido pedidos de empresários para excluir candidatos que votaram no PT em seleções de emprego após a reeleição de Lula. O Conselho de Psicologia abriu apuração, e o teórico citado por ela para se justificar discorda.
Suassuna comanda uma empresa de recrutamento e relatou o caso em vídeo nas redes sociais, dias depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, domingo (25).
"Clientes pediram novos funcionários escolhidos com o critério de não ser petista", disse a psicóloga, que chamou candidatos incompatíveis com os valores das empresas de "laranjas podres".
O que diz a teoria usada para justificar a seleção por partido?
Suassuna citou a Teoria dos Valores Humanos Básicos, do psicólogo social Shalom Schwartz, para justificar o critério. Procurado pelo g1, o próprio Schwartz discordou: a teoria mostra relação entre apoio partidário e valores, mas isso não torna um candidato mais apto para um emprego.
As pesquisas sugerem que contratar apenas funcionários que compartilhem as prioridades de valores daqueles que já trabalham em uma organização pode ter efeitos prejudiciais sobre a produtividade da empresa.
Essa prática, segundo Schwartz, pode levar ao "pensamento de grupo", a menos inovação e a menor capacidade de lidar com mudanças nas circunstâncias.
Schwartz tem 90 anos e é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele só se manifestou depois de ser procurado pelo professor de filosofia Marcos Carvalho Lopes, da UFJ, que achou "inconsistente" o uso da teoria e foi atrás do autor original.
A própria teoria citada para justificar a exclusão de petistas, segundo seu autor, não sustenta esse uso. Em nota, o Conselho Regional de Psicologia (CRP-09) repudiou a adoção de critérios político-partidários nas contratações e informou que o caso será apurado pelo Código de Processamento Disciplinar.
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O conselho afirma que processos seletivos devem considerar critérios técnicos ligados à vaga, sem excluir candidatos por orientação política. A legislação trabalhista brasileira também proíbe qualquer discriminação que limite o acesso ao trabalho, com previsão de multas e sanções econômicas.
O que acontece agora
O caso de Suassuna entra numa onda de denúncias de assédio eleitoral no trabalho que já soma milhares de casos na Procuradoria-Geral do Trabalho desde a reeleição de Lula.
A prática já teve processo movido pelo Ministério Público do Trabalho em outros casos neste ano, e pode resultar em multa milionária e até prisão, segundo especialistas em direito trabalhista.































