Um vazamento de petróleo fechou praias nos Emirados Árabes Unidos nesta sexta-feira (23), terceiro incidente em navios-tanque no Golfo em quatro meses. A guerra entre Irã e Estados Unidos já fechou cerca de 20% da rota mundial de petróleo no Estreito de Hormuz.
Ataques a embarcações comerciais se tornaram rotina na região. Em 9 de outubro, um navio identificado como GEM No. 2 foi atingido a 13 milhas náuticas da costa dos Emirados. Nenhum grupo assumiu autoria.
O que já vazou no Golfo este ano
Antes do episódio desta sexta, o Estreito de Hormuz já era tratado como rota vital para o petróleo mundial.
Em junho, Omã teve o que o Greenpeace descreveu como um dos piores vazamentos em anos. O petroleiro Caroline Bezengi, com cerca de 800 mil barris a bordo, encalhou em 30 de junho perto de uma reserva marinha.
Segundo o Greenpeace, a mancha de óleo cresceu de 20 km² em 24 de julho para quase 600 km² em 4 de agosto, chegando a mais de 2.000 km², de acordo com um especialista em derramamentos citado pela imprensa internacional.
O Caroline Bezengi integra a chamada "frota fantasma" russa: navios antigos usados para driblar sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia, em 2022. Más condições dessas embarcações aumentam o risco de vazamento, segundo especialistas citados na cobertura internacional.
Por que o Brasil sente o impacto
O Brasil não depende do Golfo para importar petróleo bruto: o país produz mais do que consome e exporta o excedente. O problema é o diesel, já que cerca de 30% do consumido aqui é importado, com preço atrelado ao mercado internacional.
Publicidade
Para segurar o preço na bomba, o governo criou dois pacotes de subsídio ao diesel neste ano que somam R$ 17 bilhões: R$ 10 bilhões em março e mais R$ 7 bilhões em abril.
A conta veio depois que a guerra elevou o Brent e pressionou os preços no Brasil.
Em outubro, o governo já havia elevado o subsídio ao diesel importado para R$ 3,52 por litro, depois de mantê-lo em R$ 2,12 às vésperas da eleição.
A Petrobras hoje atende cerca de 70% do consumo nacional de diesel e estuda elevar a meta para 100% até 2031, com a expansão da refinaria Abreu e Lima, que deve dobrar de capacidade até 2029.
O ponto em aberto
Três incidentes em quatro meses deixam uma pergunta sem resposta nesta apuração: quanto tempo o Brasil sustenta subsídios bilionários a cada novo episódio no Golfo?
A meta da Petrobras de fechar a dependência de diesel importado só se cumpre em 2031. Até lá, cada vazamento na outra ponta do mundo chega à bomba brasileira pelo preço.































