Bispos e arcebispos católicos divulgaram nesta quinta-feira (22) uma carta aberta "ao povo de Deus" dizendo que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ameaça a democracia e a soberania nacional do país. Até as 6h20 de sexta (23), 47 bispos haviam assinado o texto.
Sem citar nomes, o documento aponta que Flávio é contrário ao fim da escala 6x1, promete ampliar o acesso a armas "como fez seu pai" e nega a crise climática. Também critica a relação do senador com os Estados Unidos.
A campanha de Flávio Bolsonaro não havia respondido à carta até a publicação desta reportagem.
A candidatura ameaça frontalmente a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum.
A carta também elogia, sem citar nomes, a outra candidatura do 2º turno. Diz que ela "sempre manifestou responsabilidade com os pobres" e atuou "dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição".
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O texto ainda menciona homenagens da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, identificado pela Justiça como torturador da ditadura militar.
A carta é posição da CNBB?
A carta não representa posição oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Foi organizada pelo movimento "Bispos do Diálogo pelo Reino" e reúne assinaturas individuais de bispos e arcebispos de diferentes dioceses do país.
A CNBB, como instituição, havia divulgado mensagem própria um dia antes, em 21 de outubro, defendendo a democracia e o voto consciente, sem citar nominalmente nenhum dos dois candidatos.
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Flávio já teve atrito com a Igreja antes
Flávio já esteve em atrito com a Igreja antes desta carta. Em 27 de setembro, durante evento de campanha em Goiás, acusou a CNBB de participar da disseminação de desinformação sobre uma suposta iniciativa de retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.
A CNBB rebateu a acusação na época, dizendo que atribuir à instituição a disseminação de desinformação, sem provas, prejudica a instituição. O caso já havia virado crise entre as duas campanhas em setembro e foi usado por Lula em propaganda eleitoral.
O que acontece agora
A carta segue aberta a novas assinaturas de bispos e arcebispos até o 2º turno das eleições presidenciais, no domingo (25/10). A campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o documento até a publicação desta reportagem.































