O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (22), o registro do samba e dos modos de fazer cachaça de alambique como patrimônio imaterial de Minas Gerais, além do tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá.
A decisão foi tomada em reunião no Palácio da Liberdade, sede do governo estadual em Belo Horizonte, e aplaudida pelo público presente.
"Reconhecemos três patrimônios fundamentais", disse a secretária-adjunta de Cultura e Turismo do estado, Josiane de Souza, que comandou a sessão.
O samba mineiro tem hoje 246 grupos cadastrados no estado. O dossiê que embasou o reconhecimento foi solicitado pelos sambistas do coletivo Mestre Conga e elaborado pelo Iepha-MG.
Segundo o historiador Marcos Maia, coordenador do inventário do samba em BH, o ritmo tem raízes no estado desde o início do século 20. Em 1934, seis anos após a 1ª escola de samba do país, nasceu em Juiz de Fora a Turunas do Riachuelo.
"Hoje, é reconhecido como patrimônio cultural. Isso é uma vitória para os sambistas", afirmou Raimundo Nonato da Silva, coordenador do Mestre Conga, que solicitou o dossiê.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça artesanal, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Emater-MG, são 630 alambiques registrados no estado.
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O reconhecimento é a conclusão de um processo que a TV Sim Brasil já havia acompanhado em junho, quando o estado avançava na proteção dos alambiques tradicionais.
"Permite que saberes não se percam e abre a oportunidade para que vários produtores, inclusive quem não está cadastrado nos meios oficiais, sejam valorizados", destacou Josiane de Souza sobre o registro da cachaça de alambique.
Sara Regina Santana Santos, de família que produz a cachaça Guaraciaba há 62 anos, afirmou que a medida pode ampliar a valorização da bebida e das famílias que vivem da atividade.
A Casa de Dona Beja, também chamada de Pensão Tormim, foi construída entre 1820 e 1830 e preserva características da arquitetura urbana do período. Está ligada à história de Anna Jacintha de São José, figura marcante de Araxá no século 19.
"O tombamento da Casa de Dona Beja preserva a memória de uma mulher importante para o início do século XIX e a história de Araxá", afirmou Josiane de Souza.
Dona Beja teve influência social, econômica e política no Araxá do século 19. Ela desafiou os padrões morais de sua época.
Em junho, a TV Sim Brasil também noticiou o tombamento do Teatro Municipal de Ouro Preto como patrimônio cultural brasileiro.
Quem quiser conhecer de perto os alambiques e os sabores mineiros pode seguir o roteiro de sete destinos em Minas Gerais para quem ama queijo, café e cachaça.































