Um estudo publicado em 12/10 na revista Nature Communications dobrou a projeção de quanto a geleira Thwaites, a "do fim do mundo", vai contribuir para a elevação do mar até 2100. A conta chega a 3 centímetros, contra 1,5 centímetro da estimativa anterior.
A pesquisa é assinada por cientistas da UC Irvine, do JPL da Nasa, da UCLA, da UC San Diego e da Dartmouth College. Eles cruzaram 27 anos de dados de satélite, de 1996 a 2023, com leituras de radar da constelação finlandesa ICEYE.
Por que o degelo acelerou
A "zona de ancoragem" é a faixa de 4 a 6 km onde o gelo deixa o fundo do mar e passa a flutuar. Ali, a maré empurra água quente todos os dias, derretendo o gelo por baixo a até 120 metros por ano.
"Os resultados preveem maior risco e exposição a inundações costeiras do que o antecipado", disse o cientista Eric Rignot, do JPL e da UC Irvine, um dos autores do estudo.
A Thwaites já havia aparecido em outro levantamento da Nasa, que atribuiu dois terços da alta do nível do mar ao degelo polar.
O alerta sobre gelo perdido nos polos para cidades costeiras foi divulgado em setembro.
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O que muda para o litoral brasileiro
Entre as cidades brasileiras, Recife é apontada pelo IPCC como a de maior risco, pela combinação de mar mais alto com o solo afundando. Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Luís, Santos e Porto Alegre também aparecem na lista de cidades costeiras sob risco iminente.
"Recife está em uma posição geográfica favorável à ocorrência de inundações", diz o professor Osvaldo Girão, da UFPE, citando bairros como Brasília Teimosa, Pina e Boa Viagem.
No litoral paulista, o mar já subiu 20 centímetros em 73 anos, segundo pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP, com projeção de chegar a 36 centímetros até 2050.
O mesmo ritmo de aceleração já havia sido registrado em levantamento de junho sobre os riscos ao Brasil.
O que falta saber
Os 3 centímetros projetados são só a fatia da Thwaites. O estudo não substitui as projeções gerais de elevação do mar, que somam outras geleiras, a expansão térmica da água e o degelo na Groenlândia, com margem de incerteza própria, reconhecida pelos autores.





























