O mercado de cartas colecionáveis de Pokémon cresce no Brasil misturando nostalgia e expectativa de lucro. O cofundador da Liga Pokémon, Diogo Pires, vendeu parte da própria coleção por R$ 73 mil em 2018, início de uma onda que hoje movimenta milhões.
Pires guardou cartas ilustradas por mais de duas décadas antes de vender parte do acervo a um colecionador da Nova Zelândia.
"Eu comecei a pensar que ter esse monte de coisa em casa é um risco, porque vale muito dinheiro. Foi mais por segurança mesmo", disse à Folha.
Quanto vale uma carta de Pokémon
O valor varia muito conforme raridade e estado de conservação. A carta mais cara da franquia, batizada "Pokémon Illustrator" e com Pikachu, foi arrematada por US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 86,5 milhões) em leilão nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano.
A produção global também bateu recorde. Segundo a The Pokémon Company, mais de 75 bilhões de cartas haviam sido fabricadas até março de 2025, e o total passou a 85 bilhões um ano depois.
Antes de 2019, a média anual de impressão era de 1,5 bilhão a 2 bilhões de cartas.
A carta recordista foi vendida pela casa Goldin Auctions, consignada pelo influenciador americano Logan Paul, que a havia comprado em 2021 por US$ 5,27 milhões. Apenas entre 39 e 41 exemplares foram distribuídos, como prêmio de um concurso da revista japonesa CoroCoro Comic.
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Por que o mercado brasileiro aqueceu
No Brasil, as cartas de Pokémon são distribuídas pela fabricante de baralhos Copag. Entre setembro de 2021 e setembro de 2026, o interesse pelo termo "Pokémon" nas buscas do Google foi 60% maior que no período de cinco anos anterior, segundo o Google Trends.
Neste ano, o termo atingiu o maior nível de busca desde 2016.
Em agosto, Neymar abriu pacotes de cartas em live no Instagram ao lado do filho, Davi Lucca. A transmissão teve cerca de 175 mil espectadores simultâneos. O influenciador Thiago Nigro também publicou conteúdos sobre o mercado de cartas, mostrando compras de produtos lacrados.
O fenômeno repete o roteiro de outras modas de colecionáveis que viraram investimento, como os bonecos Labubu, da Pop Mart.
Outro exemplo recente é a camisa usada por Michael Jordan na série documental "The Last Dance", vendida por US$ 12,26 milhões em leilão, recorde para memorabilia esportiva.
No mercado mais amplo de cartas colecionáveis, as vendas cresceram 350% em faturamento entre 2020 e 2025 nos Estados Unidos, segundo a consultoria Circana. O avanço acompanha a busca por ativos alternativos de maior rentabilidade, fora da bolsa e da renda fixa tradicional.





























