Milhares de pessoas foram às ruas de cidades dos Estados Unidos neste sábado (17) na campanha "No Kings: Vote Early", que pede voto antecipado contra o governo de Donald Trump antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
Em Washington, manifestantes marcharam do norte da Virgínia até o Lincoln Memorial, perto do local onde Trump propôs erguer um arco triunfal na capital. Cartazes traziam frases como "não mexam no nosso voto".
O movimento se apresenta como apartidário, mas dá sequência a quase dois anos de marchas formadas por quem rejeita o governo Trump.
Em outubro de 2025, uma edição anterior reuniu, segundo os organizadores, quase 7 milhões de participantes em 2,7 mil pontos do país, uma das maiores mobilizações de um único dia na história americana.

"Há um esforço em curso para minar a democracia neste país. Os bilionários estão financiando isso, e o povo precisa retomar o poder para as próprias mãos", disse Peter Jipp, cientista climático aposentado que marchou em Washington e disse que vai votar antecipadamente na Virgínia.
Megan Ascher, que viajou da Carolina do Norte até a capital, resumiu a insatisfação com o presidente: "Não consigo pensar em absolutamente nada que ele tenha feito com o que eu esteja satisfeita."
No mesmo sábado, Trump discursou em comício no Kentucky para mobilizar eleitores republicanos. "Posso fazer coisas que são inacreditáveis", afirmou, segundo a agência Associated Press.
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Ele repetiu a promessa de pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos mantenham a maioria no Congresso. Segundo a AP, a medida custaria mais de US$ 1 trilhão e agravaria um déficit orçamentário anual já próximo de US$ 1,8 trilhão.
É um caso raro de duas campanhas eleitorais disputando a mesma rua no mesmo dia: de um lado, marchas que pedem pressa no voto contra o presidente; do outro, um comício que promete dinheiro para mantê-lo no poder.
Trump também repetiu que a guerra com o Irã terminaria em breve, previsão já feita diversas vezes ao longo de quase oito meses de conflito.
Ele ainda associou o programa democrata à extinção do Senado e da Suprema Corte, propostas que, segundo a AP, não constam do programa do partido. No dia anterior, o próprio Trump havia suspendido sanções à Rússia e provocado críticas de aliados republicanos.
O cálculo eleitoral em torno do Irã já havia levado Trump a descartar um novo ataque antes de novembro, e o desgaste nas urnas é sentido até dentro do próprio partido: republicanos importantes já começaram a se afastar do presidente nas últimas semanas.
O ponto em aberto
O movimento "No Kings" aposta que multidão nas ruas vira fila nas urnas, mas essa conversão nunca foi medida diretamente nas edições anteriores. É isso que o resultado de 3 de novembro vai testar, numa eleição que define a maioria no Congresso.





























