O empresário Paolo Zampolli, enviado especial de Donald Trump, deixou o governo americano nesta quinta-feira (15). Segundo o New York Times, ele pediu a um funcionário do ICE a detenção da brasileira Amanda Ungaro durante disputa pela custódia do filho dos dois.
A saída ocorre dias depois de o site Politico revelar e-mails que expõem meses de atrito entre Zampolli e o vice-secretário de Estado, Christopher Landau.
Segundo o Politico, Landau tentou limitar Zampolli à diplomacia cultural, função para a qual ele havia sido nomeado em 2025. Em novembro do ano passado, ordenou que ele interrompesse trabalhos fora dessa atribuição.
Conversei com o presidente e disse: "Senhor presidente, me desculpe, esse cara é um vazador. Foi ele que fez isso".
Disse Zampolli à Folha, referindo-se a Landau. Ele afirmou ainda que sua saída já era esperada, já que sua nomeação de um ano havia sido prorrogada por mais seis meses por Trump.
Procurado pela Folha, o Departamento de Estado confirmou o encerramento das funções de Zampolli, mas não esclareceu as circunstâncias da saída nem comentou as acusações contra Landau.
O que a reportagem do NYT revelou sobre o caso Ungaro
O New York Times revelou, em março, que Zampolli contatou um funcionário sênior do ICE, David Venturella, em junho de 2025, para pedir a detenção da brasileira Amanda Ungaro, com quem disputava a custódia do filho.
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A disputa pela guarda do filho adolescente dos dois começou em 2023, quando Ungaro deixou o relacionamento. Venturella, segundo o jornal, repassou o pedido ao escritório do ICE em Miami, e a brasileira foi detida e, depois, deportada.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) nega qualquer motivação política. Em nota ao New York Times, o órgão informou que Ungaro foi detida e deportada por estar com visto vencido e por responder a uma acusação de fraude.
A divergência entre a reportagem do NYT e a nota do DHS está no motivo da detenção: disputa de custódia, segundo o jornal, ou irregularidade migratória, segundo o governo americano.
Zampolli também negou ao New York Times ter pedido favores especiais ou solicitado que autoridades federais detivessem Ungaro. Ele manteve, pelo mesmo veículo, a versão de que não houve uso indevido de sua posição no governo.
Zampolli apresentou Melania a Trump em 1998, em Nova York, antes de fazer carreira no setor de agenciamento de modelos. Foi nomeado enviado especial em 2025 para diplomacia cultural e parcerias internacionais, função cujos limites se tornaram o centro do conflito com Landau.
O caso de Ungaro integra uma série de episódios recentes envolvendo brasileiros detidos pelo ICE nos Estados Unidos. Seis em cada dez brasileiros presos pelo ICE são deportados, segundo levantamento divulgado neste mês.
Outro caso recente envolveu uma brasileira detida pelo ICE ao desembarcar em aeroporto dos Estados Unidos. O tema da prisão de imigrantes sem fiança também está no radar da Suprema Corte dos EUA.
Zampolli, de 56 anos, foi o segundo integrante do círculo de Trump a sair do governo na mesma semana. A disputa pela custódia do filho entre ele e Ungaro tramita na Justiça de Nova York.





























