A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou nesta quarta-feira (14) a aprovação, pelo Senado, da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1. Para a entidade, a mudança pode elevar a informalidade e os custos das empresas e das famílias.

Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o impacto chega até despesas do dia a dia, como a taxa de condomínio.

"O mesmo vale para a migração ao trabalho informal, o aumento direto no boleto do condomínio e tantas outras despesas que vão pesar no bolso dos brasileiros e nos custos das empresas", disse ele em nota.

Skaf também criticou o rito da aprovação. "Nossa posição sempre foi a de que um tema dessa magnitude exigia debate profundo e fora do calendário eleitoral, sem o risco de se tornar uma 'PEC Boca de Urna'", afirmou.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) seguiu na mesma linha. Para a entidade, a aprovação vai causar perdas econômicas, demissões, repasse de custos e inflação em todo o país.

"Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O que as entidades querem mudar?

A CNI já fala em buscar uma revisão do texto aprovado, voltada ao setor produtivo. Alban defende que o Congresso reabra o debate depois de medir os efeitos da medida na prática.

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A mesma revisão é prometida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no 2º turno. Nos últimos dias, ele tem dito a aliados e empresários que vai rever pontos da PEC se for eleito.

Flávio já havia apresentado uma alternativa à escala 6x1 ainda na campanha, antes de o Senado votar o texto que acabou aprovado.

A Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) também se posicionou contra a PEC. A entidade cita aumento do custo da hora trabalhada, insegurança jurídica e perda de competitividade, já que a jornada cai sem redução proporcional de salários nem ganho de produtividade.

A crítica chega no mesmo dia em que outra matéria mapeou quais grupos de trabalhadores ficam fora da nova regra.

O texto que o governo trata como conquista virou, para o setor produtivo, uma conta que ainda não tem valor fechado.

O Senado aprovou a PEC em 1º turno nesta quarta, com transição de 14 meses para a jornada cair de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários. O texto ainda segue para o 2º turno e, depois, para promulgação.