O primeiro turno de 2026 elegeu 21 governadores, 513 deputados federais e 54 senadores, e mais de seis dezenas de candidatos vinham de famílias tradicionais da política ou tinham parente também na disputa. Ao todo, essas famílias elegeram 43 parentes e perderam 22 corridas eleitorais.
A conta reúne governador, senador, suplente de senador, deputado federal e deputado estadual eleitos entre integrantes de famílias como Barbalho, Bolsonaro, Calheiros, Sarney e Arraes, segundo levantamento do G1 com base nos resultados oficiais.
O retrato muda de família para família. Enquanto uma elegeu a maioria dos seus parentes, outra perdeu os únicos mandatos que tinha havia décadas.
A família de Jair Bolsonaro elegeu quatro de seis parentes candidatos: Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC) venceram vagas ao Senado, e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) e Renato Bolsonaro (PL-SC), à Câmara. A ex-mulher, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), perdeu a disputa por deputada federal.
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Já a família Calheiros perdeu os dois cargos de Alagoas: o governo, com Renan Filho (MDB), e o Senado, para Arthur Lira, com o pai, Renan Calheiros. Remi Calheiros (MDB) elegeu-se à Assembleia Legislativa; Renildo Calheiros (PCdoB-PE) não se elegeu deputado.
De 72 anos sem derrota a um novo nome na Câmara
No Maranhão, a família Sarney ficou sem nenhum mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos. Roseana Sarney (MDB) terminou em 3º lugar na disputa pelo Senado, com 16,39% dos votos válidos, superada por André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
No Pará, a história foi oposta: Helder Barbalho (MDB) se elegeu senador, tendo o pai, Jader Barbalho (MDB), como suplente, enquanto Jader Filho (MDB-PA) conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Em Pernambuco, três descendentes do ex-governador Miguel Arraes também venceram: Pedro Campos (PSB) para a Câmara, Marília Arraes (PDT) para o Senado e Maria Arraes (PSB) para a Assembleia Legislativa.
O resultado de 2026 não eliminou as dinastias políticas: em Alagoas, os Calheiros perderam o posto para outra família tradicional, os Caldas, segundo análise do analista Bruno Soller, do Real Time Big Data.
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Para o cientista político Renato Dolci, famílias mais associadas ao governo Lula sofreram derrotas maiores do que aquelas sem essa associação direta, embora casos como o dos Bolsonaro mostrem que o fenômeno das dinastias atravessa posições ideológicas diferentes.
O ponto em aberto
O desgaste que varreu os Sarney e parte dos Calheiros não repetiu o mesmo padrão em todo o país. Outros sete políticos tradicionais também perderam o mandato nesta eleição, mas os Bolsonaro elegeram parentes em três estados e disputam a Presidência no 2º turno.
A pergunta que o resultado de 2026 deixa em aberto é se o voto que puniu nomes tradicionais atingiu a política de família como fenômeno, ou apenas os sobrenomes já desgastados dentro dela.





























