O chanceler da Ucrânia, Andrii Sybiha, se reuniu nesta segunda-feira (21), em Nova York, com o ministro Mauro Vieira e pediu atenção do Brasil à segurança das rotas marítimas no Mar Negro, às margens da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o Metrópoles, Sybiha informou Vieira sobre os desdobramentos recentes da guerra entre Rússia e Ucrânia. O ponto central foi a navegação no Mar Negro, rota ligada à exportação de grãos e à segurança alimentar global.
"Os ataques contínuos da Rússia e as tentativas de perturbar as rotas marítimas representam uma ameaça direta à liberdade de navegação e à segurança alimentar global", disse Sybiha, em publicação citada pela reportagem.
A cobrança chega ao Brasil porque o país tenta preservar espaço diplomático em negociações de paz e, ao mesmo tempo, é um ator relevante no mercado mundial de alimentos. A TV Sim já mostrou que Zelensky propôs trégua para proteger grãos e energia.
Os dois chanceleres também discutiram o aprofundamento da relação entre Ucrânia e Brasil e o fortalecimento de laços políticos e econômicos. Sybiha agradeceu o engajamento brasileiro e disse contar com a voz do país em defesa da Carta da ONU.
"Contamos com a voz do Brasil para promover a paz com base na Carta da ONU e no respeito à soberania e à integridade territorial", afirmou o ministro ucraniano, segundo o Metrópoles.
Por que o Mar Negro importa?
O Mar Negro importa porque concentra uma parte sensível das rotas usadas pela Ucrânia para escoar alimentos. A União Europeia marcou para terça-feira (22), na sede da ONU, um evento sobre segurança alimentar e liberdade de navegação na região.
De acordo com a União Europeia, o encontro discutirá ataques à infraestrutura portuária e à navegação, além de uma chamada por moratória de ataques no Mar Negro. O debate transforma uma guerra europeia em pauta de preço e abastecimento para outros continentes.
Esse é o elo com o leitor brasileiro. A escalada no Mar Negro já apareceu no impacto sobre commodities, como mostrou a TV Sim ao explicar por que o trigo subiu com a tensão geopolítica.
O que o Brasil respondeu?
O que o Brasil respondeu publicamente, até agora, foi a manutenção do diálogo. Segundo o Metrópoles, Vieira ficará em Nova York representando o país em compromissos da semana, enquanto a agenda curta de Lula deve inviabilizar reunião com Volodymyr Zelensky.
O contato entre Vieira e Sybiha não começou agora. Em julho, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia informou que os dois haviam falado por telefone sobre ataques a embarcações civis e cargas de alimentos no Mar Negro.
Naquele comunicado, Sybiha disse que a voz brasileira poderia ter papel importante nos esforços de paz. A mensagem desta segunda-feira repete a pressão num palco mais visível, justamente quando a ONU concentra líderes e chanceleres em Nova York.
O que acontece agora
O que acontece agora é a continuação da ofensiva diplomática ucraniana na ONU. Segundo a Ukrinform, Sybiha listou como prioridades apoio internacional, pressão sobre a Rússia, energia antes do inverno, Mar Negro e exportação de grãos.
O Brasil terá de equilibrar essa cobrança com sua estratégia de diálogo. Lula discursa na abertura do debate geral da ONU. A relação entre Washington, Kiev e Moscou segue no radar depois de a TV Sim mostrar que Trump pressionou Zelensky por refinarias russas.





























