O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou a morte do ex-presidente do Iraque Saddam Hussein para criticar operações dos Estados Unidos em outros países, em entrevista à CNN nesta segunda-feira (21). Segundo ele, o país nunca provou a existência de armas químicas iraquianas.
"Mataram o Saddam Hussein e até agora não acharam uma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado à mentiras", disse Lula.
Não é a primeira vez que Lula usa o caso Saddam Hussein, morto em 2006, para questionar intervenções americanas. Em março, na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com países africanos, ele fez a mesma pergunta sobre o Irã.
"Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Aonde elas estão? Quem achou?", questionou Lula.
Na entrevista, Lula também citou as operações dos Estados Unidos na Venezuela e os ataques contra embarcações acusadas de narcotráfico no Pacífico, que ele diz não respeitarem a segurança territorial das nações.
A fala sobre a Venezuela ocorre dias depois de o Brasil ter sido citado, mas não incluído, na lista antidrogas divulgada pelos Estados Unidos.
"Se tinha narcotráfico na Venezuela, prende o narcotraficante. Agora, mataram muita gente lá, nos barcos, e não provaram ainda nenhum traficante. Não mostraram nenhuma droga, não mostraram nada. Só prenderam", disse Lula.
Nicolás Maduro, ex-ditador da Venezuela, foi capturado pelos Estados Unidos em Caracas e está preso desde 3 de janeiro em território americano, onde responde a quatro acusações de tráfico de drogas e de armas.
Não é a primeira vez que Lula chama Trump de imperador
Na mesma entrevista, Lula disse que Trump "tem o direito de governar para os EUA", mas "não tem o direito de governar outros países" nem de "impor a sua vontade" a outras nações.
A crítica de Lula a Trump não é um episódio isolado. Em julho de 2025, ele já dissera que Trump "não foi eleito para ser imperador do mundo". Em junho, no G7, chamou a postura do americano de imperial.
Lula está em Nova York para a abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, onde também criticou o que chamou de genocídio em Gaza.
No mesmo discurso, ele disse que a guerra no Irã encareceu combustível e comida ao redor do mundo.
O que diz a análise sobre os discursos na ONU
Para o professor de Relações Internacionais Carlos Gustavo Poggio, do Berea College, os discursos de Lula e Trump na Assembleia Geral revelam, cada um à sua maneira, a falência do multilateralismo e da diplomacia internacional.
Poggio avalia que o discurso de Lula foi majoritariamente eleitoral. "90% foi um discurso de campanha, 10% foi um discurso efetivamente de questões internacionais", disse ele à CNN.
Já sobre Trump, o professor disse que o presidente americano assumiu uma postura mais extrema que a de George W. Bush no Iraque, "de rejeitar por completo a ONU" e dizer "que aquilo que importa é apenas o poderio norte-americano".
Lula segue em Nova York até o fim da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, marcada para o dia 28.











































