A Nestlé afirmou estar avaliando opções para sua unidade na Rússia depois que Moscou transferiu o controle da operação para administradores externos, no mais recente movimento do Kremlin contra empresas estrangeiras. A companhia suíça tinha seis fábricas no país em 2025.
O mecanismo por trás do confisco
Um decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin transferiu as operações russas da Nestlé, da rede varejista francesa Auchan e da ex-marca de bricolagem Leroy Merlin (hoje Lemana Pro) para uma empresa chamada LEV Management.
A LEV Management foi criada no fim de 2025 e é dirigida por um general do Ministério do Interior russo, o que mostra como o Kremlin já trata a administração de empresas estrangeiras como assunto de segurança do Estado, não só de economia.
O Kremlin defende a medida como resposta a empresas de países considerados "não amistosos" por apoiarem a Ucrânia. A Rússia reforçou o controle sobre ativos estrangeiros desde o início da guerra, em 2022.
O confisco ocorre enquanto as negociações do conflito seguem travadas. Enviados de Trump levaram a Moscou um plano que exige a redução pela metade do Exército ucraniano, sem sinal de acordo fechado.
Por que este caso não é o primeiro
Um decreto de 2023 assinado por Putin já permitia a Moscou colocar sob administração temporária os ativos de países considerados "hostis". Em casos anteriores, essa administração temporária costumava preceder a expropriação pelo Estado.
Depois de confiscados, os ativos costumavam ser transferidos a pessoas físicas ou jurídicas ligadas ao Kremlin. Foi o que aconteceu com a francesa de laticínios Danone e com a participação da cervejaria Carlsberg em uma cervejaria local, ambas em 2023.
O ponto em aberto
O precedente de Danone e Carlsberg sugere que a administração temporária tende a ser só a primeira etapa de um processo mais longo, não um estágio permanente.
A Nestlé ainda não detalhou publicamente quais opções está avaliando para a unidade confiscada, nem se pretende contestar a medida ou negociar sua saída.
A Nestlé segue investindo em outras partes do mundo enquanto lida com a perda de controle na Rússia. No Brasil, a companhia anunciou em setembro um aporte de R$ 600 milhões em uma fábrica de fórmula infantil em Minas Gerais.
O impacto econômico da guerra também já chegou a outros setores ligados à Rússia no Brasil. Em julho, Moscou suspendeu a exportação de diesel, afetando o Brasil como grande comprador do produto russo.


























