O empresário e palestrante Ricardo Teagano foi o único passageiro sobrevivente do voo 820 da Varig, que pegou fogo em 1973 a caminho de Londres e matou 123 pessoas. Ele tinha 21 anos e sobreviveu porque caiu de bruços no chão durante o pouso forçado.
Em entrevista ao podcast Quarta Faixa, Teagano contou que o voo partiu do Rio de Janeiro à noite, com escala em Paris antes de seguir para Londres, destino que sonhava conhecer para ver shows de rock.
Ele chegou ao aeroporto seis horas antes do embarque e pediu para ser um dos primeiros a fazer o check-in, de forma a garantir um lugar na traseira do avião, que tinha 134 pessoas a bordo naquele dia.
A fumaça que tomou a cabine
Faltando cinco minutos para o pouso em Paris, uma fumaça pequena começou a sair perto do banheiro, na parte de trás da aeronave. Teagano se levantou e foi andando até a frente, driblando um comissário que mandou ele voltar ao lugar.
Quando chegou perto da cabine, a cena tinha mudado. "Era a fumaça preta, saindo por todo o revestimento, preta, tóxica, negra", relatou. Segundo ele, o fogo chegou a invadir o duto que alimentava as máscaras de oxigênio, que por isso nunca caíram.
Cego pela fumaça, Teagano contou que começou a se despedir da vida. "Comecei a me despedir da vida. É engraçado que me veio calma", disse. Ele afirmou ter sentido um abraço sem explicação no momento mais crítico.
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"Eu senti alguém me puxando, me apertando, me abraçando. E não era ninguém dentro do avião", relatou.
O pouso forçado na plantação de cebola
Com o avião em chamas, os pilotos descartaram a opção de seguir até o aeroporto. "Os pilotos foram uns verdadeiros heróis", disse Teagano sobre os comandantes Gilberto Araújo e Antônio Fujimoto, que pousaram a aeronave numa plantação de cebolas.
O teto da cabine desabou em chamas sobre os passageiros que já tinham morrido pela fumaça. Teagano caiu de bruços quando o avião começou a inclinar, o que considera ter sido decisivo para sua sobrevivência.
Queimado nas costas, foi retirado pelos bombeiros dez minutos depois do pouso e levado em coma para o CTI, onde ficou 30 horas. Da tripulação de 17 pessoas, dez sobreviveram, todas no cockpit.
Ele foi o único passageiro, entre os 134 a bordo, a sair com vida. Araújo, o comandante, desapareceria seis anos depois, num voo de carga da Varig que sumiu sobre o oceano Pacífico.


































