O palestrante Ricardo Teagano, único sobrevivente entre os passageiros do voo 820 da Varig, que pegou fogo em 1973 a caminho de Londres, foi confundido no hospital com um comissário de bordo. A troca de identidade levou a família dele a anunciar a morte, preparar velório e encomendar o sepultamento.
Ele só provou que estava vivo escrevendo o próprio nome num papel, ainda em coma. A confusão começou quando funcionários da Varig no hospital viram Teagano desacordado e o reconheceram como um tripulante da aeronave.
"Então o Ricardo, eu era o Sérgio Balbino, e o Ricardo estava morto", resumiu, sobre o erro que fez constar que ele tinha morrido no acidente, que matou 123 das 134 pessoas a bordo.
Uma faixa preta e um velório marcado
A notícia da morte chegou à faculdade de Teagano, que afixou uma faixa preta de luto, e à própria família. O pai dele encomendou o sepultamento. Só a mãe recusava aceitar a versão oficial.
"E a minha mãe, minha querida dona Ketch, era a única que falava que eu não tinha morrido", contou. Segundo ele, os amigos não sabiam como lidar com a insistência da mãe, já que o funeral estava marcado.
A letra trêmula que provou que ele estava vivo
Mesmo em coma, Teagano contou que percebia parte do que acontecia ao redor e entendeu que estava registrado com o nome errado. Pediu papel e caneta para se identificar.
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"Eu pedi uma folha de papel e uma caneta, e uma letra de criança, com muita dificuldade, eu escrevi meu nome, telefone, endereço", relatou. A equipe do hospital cruzou o bilhete com a lista de tripulantes, sem achar o nome, e depois com a de passageiros.
"Os caras falaram, mas não é possível. Como que esse cara é passageiro, esse cara estava lá na frente", contou Teagano, sobre a estranheza da equipe ao descobrir, pela lista de passageiros, que ele não era tripulante.
A Varig telefonou então para a casa da família e avisou que houve uma troca na identificação dos corpos, e que o filho estava vivo, embora gravemente ferido. A cena de luto virou comemoração.
"Minha mãe levantou do sofá dando bronca em todo mundo", disse Teagano, sobre a reação dela diante dos parentes que já tinham dado o filho como morto.
Ele ainda passaria três meses internado, dois deles em um CTI em Paris, antes de voltar ao Brasil para continuar o tratamento das queimaduras e retomar aos poucos a vida fora do hospital.


































