O CEO da Palantir, Alex Karp, disse à TBPN em março que só duas categorias de profissionais terão futuro garantido na era da inteligência artificial: quem tem formação técnica em ofícios especializados, como eletricistas, ou quem é neurodivergente, condição que ele mesmo tem.

Basicamente, existem duas maneiras de saber que você tem futuro. Uma: você tem alguma formação técnica. Ou duas: você é neurodivergente.

A primeira categoria reflete um consenso crescente: profissionais de ofícios especializados, como eletricistas e encanadores, são difíceis de automatizar e cada vez mais demandados, à medida que as big techs constroem data centers e os Estados Unidos enfrentam escassez de mão de obra.

Karp fala há anos sobre viver com dislexia, distúrbio de aprendizagem que pode afetar leitura, escrita e processamento de informações. Para ele, a neurodivergência pode incluir também TDAH e autismo.

Essa diferença cognitiva, segundo Karp, pode ser uma vantagem num mundo movido por IA, menos pelo diagnóstico em si e mais pela mentalidade que estimula. O sucesso, argumentou, favorece quem pensa de forma diferente e assume riscos.

Um estudo da Gartner projeta que 1 em cada 5 empresas da Fortune 500 vai recrutar talentos neurodivergentes até 2027. A Neurodivergent Fellowship paga US$ 5.400 por mês, embora não seja exigência trabalhar com Peter Thiel, que também investe em unicórnios no Brasil.

Karp também disse, em Davos, que a inteligência artificial vai "destruir empregos de humanidades", frase que ecoa um debate maior sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

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A avaliação de Karp conversa com um alerta mais amplo: uma executiva do setor projetou que a inteligência artificial pode eliminar 90 milhões de empregos nos próximos anos.

Nem todo mundo concorda com o tom alarmista: a OCDE avalia que a IA não gera queda de empregos, mas dificulta a entrada de jovens no mercado.

Executivos rivais discordam da ênfase de Karp. Jaime Teevan, da Microsoft, defende que a formação em humanidades continua valiosa, com foco em pensamento crítico. Já Daniela Amodei, da Anthropic, diz que as humanidades serão "mais importantes do que nunca", pela comunicação e inteligência emocional exigidas.

O contexto da bolsa para neurodivergentes

A fellowship foi lançada depois de um vídeo viral em que Karp aparece se mexendo bastante e com dificuldade de ficar parado durante um painel. A Palantir compartilhou o vídeo ao anunciar o programa, convidando quem se identificasse a se candidatar.

A empresa diz que a iniciativa "não é um programa de diversidade" e afirma enxergar talentos neurodivergentes como vantagem estratégica para construir "algo único".