O bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir, afirmou que a Alemanha sofre de "medo do sucesso" e não cria grandes empresas de tecnologia. O comentário coincide com o Reino Unido ultrapassar a Alemanha em número de empresas no ranking Fortune 500 Europe.
"Existe um medo do fracasso", disse Thiel ao empresário alemão Mathias Döpfner, no podcast MDMEETS, ao comentar o empreendedorismo do país onde nasceu. "As pessoas são avessas ao risco e coisas do tipo, e talvez isso seja verdade."
"Mas o ponto que eu gostaria de destacar é que talvez também exista um medo do sucesso", completou o investidor. Segundo ele, quando uma empresa alemã "tem algo que funciona", ela raramente escala "a um nível extremo como Elon Musk ou Mark Zuckerberg fizeram".
Para Thiel, os empreendedores do país tendem a vender o negócio ou deixá-lo antes que ele vire uma companhia global. "O que chama muito a atenção é como poucas grandes empresas novas foram construídas na Alemanha nas últimas décadas", disse.
O Reino Unido chegou a 76 empresas no ranking Fortune 500 Europe 2026, contra 73 da Alemanha e 66 da França. A Volkswagen segue na liderança em receita pelo terceiro ano seguido.
A montadora faturou US$ 363 bilhões. A Alemanha também caiu para a 10ª posição no Painel Europeu de Inovação de 2026, da União Europeia, atrás de Áustria, Luxemburgo e Irlanda.
O Brasil também perdeu ritmo em unicórnios
O Brasil soma hoje 22 unicórnios, startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, quase metade dos 48 que a América Latina inteira reúne. O dado é do relatório Corrida dos Unicórnios 2026, do Distrito.
O ritmo de criação, porém, desacelerou: em 2024, apenas a QI Tech alcançou o status. A única chegada de 2026 até agora foi a Enter, startup de inteligência artificial jurídica, que virou unicórnio em maio.
As fintechs concentram a maior parte das unicórnios brasileiras, casos como Nubank e C6 Bank, seguidas por empresas de mobilidade, como a 99, e de imóveis, como a QuintoAndar, que anunciou neste ano investimento de R$ 2 bilhões em inteligência artificial.
Entre elas, o Nubank é hoje um dos bancos digitais mais valiosos do mundo e já disputa espaço nos Estados Unidos com a Revolut. É a exceção que confirma a dificuldade que Thiel aponta. Poucas empresas, de qualquer país, conseguem repetir esse salto.
O iFood, outra gigante do setor, anunciou investimento recorde de R$ 24 bilhões até março de 2027, alta de 41% ante o período anterior.
Para o investidor Eric Acher, da gestora Monashees, a nova geração de startups brasileiras já nasce com perspectiva global.





























