Duas pesquisas sobre o Dia das Crianças de 2026 chegam a números diferentes para o mesmo comércio. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta R$ 9,27 bilhões em vendas no varejo. A CNDL, com o SPC Brasil, estima R$ 18,11 bilhões injetados na economia.

A diferença não é desacordo sobre o tamanho da data. É o que cada pesquisa mede.

Por que os números das duas pesquisas são tão diferentes

A CNC calcula o volume de vendas do varejo formal. A CNDL/SPC Brasil, com a Offerwise Pesquisas, estima o total gasto pelo consumidor, somando mais categorias e canais de compra, inclusive fora do varejo tradicional.

Pela conta da CNC, o gasto médio por presente deve ficar em R$ 233,84. Já a CNDL/SPC Brasil projeta R$ 308 por consumidor, considerando todos os presentes, numa média de 2,3 itens por pessoa.

A diferença de metodologia explica por que um número não invalida o outro.

Pela CNC, o volume de 2026 é o maior desde 2014, com alta de 1,8% sobre 2025. A categoria de artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui brinquedos, deve liderar as vendas, com R$ 3,62 bilhões, 39% do total estimado.

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Mesmo com o recorde histórico em volume, o crescimento percentual é modesto para uma data que vem de dois anos fracos. O consumidor está comprando mais, mas não está gastando muito mais por compra.

No comércio eletrônico, a Black Friday das crianças também cresce: o e-commerce deve movimentar R$ 10,16 bilhões nos 14 dias antes da data, cerca de 10% a mais que os R$ 9,17 bilhões do mesmo período em 2025.

O freio que aparece nas duas pesquisas é o mesmo: juros altos e endividamento das famílias. O país vive inadimplência em recorde, o que limita o quanto cada consumidor está disposto a comprometer no cartão.

Como o Dia das Crianças se compara a outras datas do varejo

A data fica atrás do Dia dos Pais, que já havia projetado R$ 8,52 bilhões em vendas neste ano, mas muito à frente do Dia dos Namorados, que somou R$ 2,84 bilhões em junho, segundo a mesma CNC.

Dentro das categorias de presente, o maior salto é no eletrônico: a intenção de comprar videogames sobe 11,2%, e a de consoles especificamente, 78,2%. Brinquedos em geral avançam 7,1% na intenção de compra.

O ponto em aberto

As duas pesquisas descrevem um consumidor que compra mais, mas com menos fôlego por compra: o crescimento é real, porém modesto diante do recorde histórico em volume.

O país segue com inadimplência em patamar recorde, o que explica por que nenhuma das projeções aposta em disparada de consumo.

A pergunta que fica para as próximas datas do calendário, Black Friday e Natal, é se esse ritmo de alta moderada se mantém, ou se o crédito mais caro finalmente trava o apetite do consumidor nos meses de maior movimento do varejo.