Autoridades brasileiras adotaram uma série de medidas para proteger a eleição presidencial de outubro de possível interferência dos Estados Unidos, informou o jornal americano The New York Times nesta segunda-feira (28). As ações incluem monitoramento de lobby estrangeiro e articulação diplomática com outros países.
Segundo o jornal, o governo mantém conversas informais com as missões diplomáticas do Canadá, do Japão, da Austrália e de países da União Europeia sobre uma resposta conjunta após a votação, marcada para 4 de outubro.
Três diplomatas estrangeiros de alto escalão, ouvidos sob anonimato pelo NYT, disseram que os países aliados devem defender rapidamente a integridade do pleito, independentemente de quem vencer. Mas admitiram receio de desagradar Washington.
As agências de inteligência brasileiras passaram a tratar a manipulação estrangeira nas redes sociais como prioridade, na esteira da decisão da Abin de elevar a nível crítico o risco de interferência dos EUA na eleição.
O conselho que o TSE criou para monitorar desinformação e uso de IA pediu que Google e Meta apresentassem planos contra vídeos e publicações enganosas, segundo o NYT.
As autoridades também lançaram uma campanha para reforçar a confiança no sistema eleitoral, com influenciadores digitais e um mascote em formato de urna eletrônica. Em agosto, o TSE reuniu mais de 80 diplomatas estrangeiros num workshop sobre o funcionamento das eleições no país.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse na ocasião que a corte havia "aberto as portas ao mundo" e se dedicado a "desmantelar todos os argumentos" contra a confiabilidade das eleições.
O temor cresceu porque candidatos de direita alinhados a Washington já venceram disputas em outros países da América Latina com endosso explícito de Trump, segundo o NYT. O governo americano nega qualquer intenção de interferir no Brasil.
O tema já vinha sendo levantado por Lula, que citou quatro frentes de interferência dos EUA na eleição. Também nos Estados Unidos, senadores democratas cobraram de Trump o compromisso de reconhecer o resultado das urnas.
O que acontece agora
A eleição presidencial brasileira acontece no dia 4 de outubro. Até lá, o governo e o TSE devem manter o monitoramento de desinformação, enquanto os aliados definem os termos de uma eventual resposta conjunta ao resultado.
O Departamento de Estado dos EUA ainda não respondeu à cobrança dos senadores.






























